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Chineses preferem Lisboa e Rio de Janeiro

Pelo segundo ano consecutivo, o Global China Business Meeting - o maior encontro de líderes políticos e empresariais chineses - vai realizar-se num país lusófono. Depois da cimeira realizada, esta semana, em Lisboa (9 a 11 de Novembro), será a vez do Rio de Janeiro, em Setembro de 2010. 

Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

O Global China Business Meeting reuniu, nos últimos três dias, mais de duas centenas de empresários, gestores e líderes de grandes companhias chinesas, interessados em fomentar os seus negócios com os países lusófonos.

"O encontro registou um elevado nível de participação de personalidades ao mais alto nível e Portugal mereceu o reconhecimento dos empresários chineses como uma plataforma que começa a encontrar uma expressão concreta para potenciar parcerias e sinergias em África e no Brasil", sublinhou Fernando Costa Freire, director-geral da Edeluc (co-organizadora local do evento) e moderador da sessão plenária que contou com a presença de Luísa Dias Diogo, primeira ministra de Moçambique; José Luís Guterres, vice-primeiro ministro de Timor-Leste; e Adão Rocha, representante do primeiro ministro de Cabo Verde, José Maria Neves (à última da hora, impossibilitado de estar presente no encontro). Também José Sócrates se viu impedido de participar nesta cimeira, por coincidência de datas com a celebração dos 20 anos do derrube do Muro de Berlim.

Recordando o facto de "ter sido um dos primeiros países a reconhecer Moçambique, logo após a independência", Luísa Dias Diogo elogiou a postura da China nas relações diplomáticas e de cooperação empresarial que mantém com aquele país africano: "a China nunca traz uma agenda pré-concebida. Quer saber das nossas preocupações e não tem dogmas sobre as infraestruturas que vai financiar (nomeadamente, edifícios governamentais e institucionais), uma abertura que não encontramos em todos os países".

África em foco

A primeira ministra de Moçambique - que fez questão de aproveitar o privilégio de poder falar em Português numa cimeira internacional - pediu aos participantes "abordagens mais eficazes, imaginativas e solidárias para o desenvolvimento em África, mutuamente vantajosas para todos os intervenientes". No domínio do comércio bilateral com a China, "gostaríamos que fosse mais agressivo, ainda é muito suave", frisou Luísa Dias Diogo, embora reconheça que as actividades comerciais "não estão só viradas para o mercado chinês, mas para o mercado regional (SADEC - Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), que representa cerca de 200 milhões de pessoas".

Citando o exemplo de Moçambique, a mesma responsável elogiou, igualmente, "o apoio da China ao processo de independência económica dos países africanos. Começando por beneficiar de empréstimos do Estado, depois da banca estatal e de apoio no acesso a financiamentos internacionais, vão ganhando, paulatinamente, autonomia financeira".

Apoio chinês a Timor

Apelando ao papel da iniciativa privada, José Luís Guterres recordou aos empresários presentes, que "Timor-Leste enfrenta imensos desafios, que não podem ser vencidos apenas com a ajuda internacional de que temos beneficiado desde a independência". A jovem nação asiática tem recebido da China apoio financeiro, institucional, técnico e de formação em diversas áreas, nomeadamente, na agricultura. "Actualmente, 500 jovens timorenses estão a estudar na China e vão chegar dois navios de patrulha que serão fundamentais para combater a pesca ilegal nas nossas águas", exemplificou o vice-primeiro ministro de Timor-Leste.

Para 2010, a Horasis, o China Entrepreneur Club, a World Eminence Chinese Business Association e o Center for China and Globalization, organizadores do Global China Business Meeting, escolheram o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro. "O facto do encontro se realizar, em dois anos seguidos, em países lusófonos vem de encontro ao nosso interesse em manter o triângulo destas conversações no Atlântico Sul", comentou Fernando Costa Freire.