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China: Alugam-se trabalhadores brancos para impressionar

Na China, as companhias pagam a caucasianos para fingirem ser seus colaboradores ou parceiros empresariais. Os estrangeiros impressionam os clientes e asseguram o futuro do negócio. (Veja vídeo no final do texto)

Os anúncios, nos classificados online, são simples e esclarecedores: tem de ser caucasiano; não falar uma única palavra de chinês; parecer que acabou de aterrar, na véspera, no aeroporto de Pequim. Além disso, se for homem, o fato de executivo tem lhe assentar perfeitamente. No caso de ser mulher, saiba que um rosto bonito e umas formas curvilíneas lhe podem garantir o trabalho. É assim na China, onde as empresas estão apostadas em contratar estrangeiros para fingirem ser colaboradores ou parceiros de negócios. Por um dia, uma semana ou até alguns meses, os gestores chineses servem-se das vantagens competitivas que uma tez ocidental pode oferecer.

Num país onde reina a velha máxima "Não perder a face" (não colocar em risco a imagem positiva que os demais têm de si), incluir estrangeiros nos gabinetes, nas reuniões e em eventos empresariais é considerado sinal de prestígio, dinheiro e bons contactos no exterior, essenciais para o futuro do negócio. Há mesmo empresas que contratam brancos para se sentarem, durante algumas horas, num local visível, onde os clientes e os fornecedores os possam ver.

Um artigo da CNN sobre o tema cita o Zhang Haihua, autor de "Think like Chineses", que explica: "A face, costumamos dizer na China, é mais importante do que a própria vida". Acrescenta: "Como os países ocidentais são tão desenvolvidos e parecem mais prósperos, as pessoas tendem a pensar que a permanência de estrangeiros é sinal de que uma empresa tem imenso dinheiro e ligações privilegiadas com o exterior".

 

Fazer boa figura

Há mesmo quem se tenha profissionalizado neste papel. São sobretudo atores e modelos desempregados, residentes em território chinês, que respondem a estes anúncios, assim como expatriados que procuram engordar os rendimentos mensais.

Jonathan Zatkin, ator norte-americano que vive na capital chinesa, entrevistado pela CNN, conta que, no ano passado, fingiu ser vice-presidente de uma marca italiana de joalharia que era, alegadamente, parceira de negócio de uma companhia chinesa há mais de 10 anos. Por 300 dólares, debitou o discurso que lhe haviam preparado por ocasião da inauguração de uma joalharia na província de Henan. Estes trabalhos são pedidos, sobretudo, para as médias e pequenas cidades, onde a presença de caucasianos é necessária para impressionar as autoridades locais e, dessa forma, assegurar a assinatura de contratos.