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CGD não aprovou nenhum dos investimentos da PT na Ongoing

Soares Carneiro, responsável pelo investimento na capital de risco Ongoing International, mantém silêncio.

Anabela Campos (www.expresso.pt)

Nenhum dos três investimentos feitos este ano pela PT Prestações, gestora dos fundos de saúde da PT, no fundo de capital de risco Ongoing International, deglobalmente €75 milhões, passou pelo crivo da CGD.



O investimento, que tem estado no centro da polémica que levou à recente demissão do representante da CGD na PT, Jorge Tomé, do Comité de Investimentos (CI), nunca foi alvo do escrutínio do banco estatal, quarto maior accionista da operadora (7,28%).



É que quando os dois primeiros investimentos, de €20 milhões cada um, foram aplicados no fundo ligado à Ongoing, quinto maior accionista da PT (6,74%), em Fevereiro e Março de 2009, e passaram pelo CI, a CGD não estava representada neste órgão consultivo cuja missão é dar um parecer, não vinculativo, sobre os investimentos. A única tranche que não passou pelo CI, foi a última, no valor de €35 milhões, aplicada depois de Abril, numa altura em que não era obrigatório fazê-lo, embora fosse tradição fazê-lo desde a criação do Comité em 2004.



Jorge Tomé, que não gostou de ver o investimento num fundo de um accionista de referência da PT efectuado à margem do CI-defendendo que no futuro houvesse uma política de delimitação dos investimentos nos accionistas qualificados -, só integrou o Comité em Abril de 2009. Momento a partir do qual, na sequência da redefinição da estratégia para os fundos de pensões, foi decidido que este órgão passaria a integrar representantes dos accionistas e não apenas elementos da equipa de gestão, como até aí.



Em Abril, quando tomou posse o actual conselho de administração da PT, e Fernando Soares Carneiro, também membro da comissão executiva da operadora, assumiu a presidência da Previsão e da PT Prestações (as sociedades gestoras dos fundos de saúde e pensões da PT), o CI passou a contar também com a presença de representantes de accionistas de referência: CGD (Jorge Tomé), BES (Amílcar Pires) e Ongoing (Nuno Vasconcellos).



Na prática, ao contrário do que se sabia, não foi então apenas o investimento de €35 milhões feito sem o parecer do CI que não foi analisado pelo representante da Caixa, mas a globalidade das aplicações. A CGD não quis fazer qualquer comentário sobre esta questão, nem esclarecer se concorda com estes investimentos da PT Prestações, ou avançar se os fundos de investimento do banco estatal fizeram qualquer aplicação em activos da Ongoing.



Mas, segundo o Expresso verificou no relatório e contas da CGD, a Caixa ou fundos por si geridos não fizeram até agora qualquer investimento em activos da Ongoing, empresa liderada por Nuno Vasconcellos, que controla o grupo do "Diário Económico" e está comprador de até 35% da Media Capital (TVI).



A Ongoing International, sediada no Luxemburgo, foi criada no final de 2008, é detida em 100% pela Rocha dos Santos Holding e gere um fundo focado em activos de mercado de capitais e private equity, vocacionado para a economia da lusofonia.

Soares Carneiro não quer falar

 

Soares Carneiro, administrador executivo da PT desde 2009 e um dos nomes apontados para a administração pelo Estado, não quis até agora falar sobre a demissão do representante da CGD ou explicar porque é que decidiu investir €35 milhões na Ongoing International sem o aval do CI. Henrique Granadeiro, presidente da administração da PT, depois de ter sublinhado que não tinha sido cometida qualquer ilegalidade neste processo, admitiu que a continuação de Soares Carneiro à frente da PT Prestações e da Previsão era uma decisão pessoal do administrador.



"Ninguém proíbe nem impõe ao eng. Soares Carneiro que avalie a situação do ponto de vista da forma, e de como este problema de uma subsidiária, teve impacto na imagem da PT", afirmou em entrevista ao Expresso.



Próximo do PS, Soares Carneiro entrou na PT em 2006, como administrador não executivo, na altura em que a operadora estava sob a OPA da Sonaecom. Acumulou então este cargo, com o de administrador da REN. Em 2009, quando Zeinal Bava assume a presidência executiva da PT, sobe à comissão executiva.



A PT recusa fazer mais comentários e considera que o assunto está encerrado.

Artigo publicado no Caderno de Economia da edição impressa do Expresso de 31 de Outubro de 2009.