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Bolsas voltam a afundar

Mais um dia negro nas bolsas, pressionadas por receios de recessão na Europa, devido às medidas de austeridade. Os mercados português e espanhol são dos mais penalizados, com Lisboa a cair 4,2% e Madrid 6,64%. Lisboa, porém, acumula um ganho semanal de 6%. 

Anabela Campos (www.expresso.pt)

O receio de que as medidas de autoridade que países Europeus estão a tomar para fazer face às aos elevados défices venha levá-los a entrar em recessão estão a provocar fortes quebras nas bolsas internacionais. É, comenta um analista, como se os países estivessem reféns num beco sem saída, uma vez que se não tomarem medidas podem entrar em incumprimento e se as tomarem podem entrar em recessão. "Nada aparentemente satisfaz os investidores", desabafava um analista que pediu anonimato.

Estes temores estão a penalizar igualmente o euro, que negociou hoje abaixo dos 1,24 dólares, no valor mais baixo desde Novembro de 2008. A pressionar o euro estão as declarações do presidente do Deutsche Bank que colocou dúvidas sobre a capacidade da Grécia em pagar aos seus credores. Há ainda a ameaça da Moody's de corte do "rating" da Grécia.

As bolsas de Lisboa e Madrid não são as únicas em forte quebra. Paris caiu também 4,7% e os mercados norte-americanos estão com perdas acentuadas, o Dow Jones está a cair 1,7% e o Nasdaq 2,5%.

Em Lisboa há quebras acentuadas em vários títulos, mas o destaque negativo vai para a Zon (-6,1%), BES (-5,9%), Sonae Indústrai (-5,9%) e BCP (-5,8%)

Bancos sobre pressão

A agência de notação de risco Moody's aponta os bancos portugueses como os mais expostos à Grécia na Zona Euro, ao deterem activos helénicos que equivalem a 23% do seu capital, noticiou a Lusa.

Segundo os analistas da Moody's Capital Markets Research Group, baseado em dados do Banco de Pagamentos Internacional (BIS) e do Serviço aos Investidores da Moody's, citado pela agência financeira Bloomberg, "os bancos que actuam em Portugal detêm activos gregos que totalizam quase 23 por cento do seu capital".  

O BCP e o BPI são os bancos que têm maior exposição à Grécia na Europa, logo a seguir aos bancos gregos e aos alemães, de acordo com a rede pan-europeia, composta por 10 bancos de investimento de vários países, entre os quais o português Caixa Banco de Investimento, do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Segundo os dados da ESN, relativos ao final de 2009, o grupo BCP - que detém, entre outros, o banco grego NovaBank - tem uma "exposição total" à Grécia de 5,8 mil milhões de euros, correspondente a um peso de 10 por cento em percentagem das ações, enquanto o BPI possui um montante global de 490 milhões de euros, cujo peso ascende a 27 por cento do seu valor de mercado.

Já o BES, cuja exposição à Grécia é considerada pela ESN como "não significativa", detém actualmente 400 milhões de euros em dívida soberana grega, 92% dos quais de curto prazo, admitindo vir a adquirir mais, se tal ficar definido no pacote de ajuda europeia à Grécia, conforme anuncio recentemente o presidente Ricardo Salgado.