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Bancos no Chipre reabrem sob fortes medidas de segurança

Doze dias depois, os bancos cipriotas voltam a reabrir portas, mas a Bolsa do Chipre continua fechada. São várias as medidas para evitar a fuga de capitais.

Liliana Coelho, com agências

Os bancos do Chipre reabriram hoje, depois de terem estado fechados desde o dia 16 de março, mas o Governo central impõe várias restrições para o movimento de capitais.

Segundo as agências Reuters e AFP, há guardas armados à porta e no interior dos bancos para evitar confusões durante a abertura de portas, marcada para as 12h locais (10h em Lisboa) até às 18h (16h), sendo que as filas foram-se acumulando à medida que a hora avançava.

Até ao momento não há registo de qualquer tensão, estando as operações dos balcões a decorrer com normalidade. A Bolsa do Chipre é que se mantém encerrada.

O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, agradeceu aos cipriotas o civismo que durante a reabertura dos bancos.

"Gostaria de agradecer ao povo cipriota a maturidade e a calma que mostraram na interação com os bancos cipriotas", escreveu Nicos Anastasiades no Twitter.

Durante a noite de ontem, vários camiões blindados chegaram à capital do Chipre com cerca de cinco mil milhões de euros em dinheiro, enviado pelo Banco Central Europeu.

Entre as várias medidas está previsto que os levantamentos serão limitados até 300 euros por dia, sendo proibido sair do país com mais de 3000 mil euros, além de as transferências e pagamentos com cartões de crédito no estrangeiro estarem limitados a 5 mil euros mensais por banco (ver quadro).

A Comissão Europeia defendeu hoje que as restrições ao movimento de capitais só ão aceitáveis em circunstâncias excecionais, devendo ser aplicadas no menor tempo possível.

Evitar o colapso financeiro

"Os Estados-membros podem introduzir restrições ao movimento de capital, incluindo controlos de capital, em determinadas circunstâncias e em condições rigorosas, por razões de ordem pública ou de segurança pública, mas deve ser interpretado muito estritamente e deve ser não-discriminatório, adequado, proporcionado e aplicado no mais breve período possível", pode ler-se num comunicado divulgado hoje por Bruxelas.

Segundo a instituição liderada por Durão Barroso, estas medidas são necessárias para evitar o colapso do sistema financeiro do Chipre.

"A Comissão Europeia está ao corrente das restrições temporárias ao livre movimento de capitais,  impostas pela República do Chipre como parte de uam série de medidas para prevenir o risco de fuga de capitais, o que poderia levar ao colapso das instituições de crédito  ou à completa desestabilização do sistema financeiro do país", acrescenta.

O Eurogrupo e o Fundo Monetário Internacional chegaram na segunda-feira a acordo quanto a um empréstimo de 10 mil milhões de euros ao país, sendo que o plano de resgate prevê o encerramento do Laiki Bank e a reestruturação do Banco do Chipre.

MEDIDAS: 

-  O levantamento de cheques bancários está proibido, só se podendo emitir cheques para fazer depósitos

- Transferências para o estrangeiro só são permitidas para pagar mercadorias

- É necessária documentação para quantias acima de 500 euros

- São também obrigatórios comprovativos quando o valor das importações ultrapassar os limites

-  É proibido sair do país com mais de 3000 mil euros

- A utilização dos cartões de débito e de crédito no estrangeiro está limitada a cinco mil euros por mês

- Depósitos a prazo não podem ser levantados antes da maturidade

- Levantamentos estão limitados até 300 euros por dia - As transferências para estudantes no estrangeiro não podem ultrapassar os 10 mil euros por trimestre 

-  Nestas medidas há exceções para missões diplomáticas, transações financeiras com dinheiro do estrangeiro ou pagamentos aprovados pela República do Chipre e o Banco Central.