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Atitude da Telefónica mostra "arrogância" e "desespero"

José Maria Ricciardi, presidente do BESI, defende que a PT deve "manter-se firme" face à  investida da Telefónica, que apelida de "desperada". Diz que a Telefónica está a agir com arrogância e salienta que a PT não é empregada dos espanhóis.

Anabela Campos (www.expresso.pt)

"É de uma pesporrência, e de uma arrogância inconcebível a forma como a Telefónica está a tratar uma empresa portuguesa. E  isto não tem a ver patriotismo bacoco. Nós não somos empregados da Telefónica, nem de Espanha", afirmou Ricciard, na Bolsa de Nova Iorque. Ricciardi que estava a falar em nome pessoal e não em nome de BESI, que é juntamente com a Euronext  anfitrião do ministro das Finanças e das cotadas portuguesas na Bolsa de Nova Iorque, onde hoje foi dia de Portugal.

"É inaceitável que uma empresa, seja ela qual for, trate a PT e os seus accionistas, como a Telefónica está a tratar. Do género, tomem lá isto e vão embora. É inaceitável. Eu não tenho medo, nem da Telefónica, nem de Espanha", acrescentou. Ricciardi acrescenta ainda: "A Telefónica está desesperada porque falhou uma data de aquisições, e como está a sentir a sua concorrência na América Latina cada vez mais dura, virou-se para aquilo que considera o elo mais fraco. A PT não pode ser o elo mais fraco".

A Telefónica é o maior accionista da PT, com 10% do capital, e já admitiu que poderá lançar uma OPA à Portugal Telecom. Hoje o CEO da PT  pediu a demissão do administrador financeiro da Telefónica e administrador da PT, depois deste ter dito em road show que a Vivo não iria pagar dividendos este ano.

Estranheza na carga de hostilidade

 

Uma opinião semelhante é partilhada por Miguel Horta e Costa, vice-presidente do BESI e ex-presidente da PT. "Não posso deixar de estranhar a carga de hostilidade que esta oferta trás desta oferta da Telefónica".

 "Penso que não há justificação para esta hostilidade. A PT está a reagir como se impunha. A aposta no Brasil é estratégica. Considero que é um sinal de desespero da Telefónica", acrescentou o também presidente da Fundação Luso-Brasileira.