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Angola já tem um Banco Económico. O 'velho' BESA mudou de nome

Sonangol e Novo Banco são acionistas. Banco central de Angola cessa a intervenção no BESA. A partir de sábado accionistas (re)assumem gestão do banco.

O Banco Espírito Santo Angola (BESA) vai passar a assumir a denominação de Banco Económico SA e entre os novos acionistas encontra-se o grupo público angolano Sonangol e o Novo Banco português, informou hoje o Banco Nacional de Angola.

As alterações foram tomadas durante uma assembleia-geral extraordinária de accionistas, realizada hoje em Luanda, em cumprimento das determinações do banco central angolano, que assim vai cessar a intervenção no BESA.

Na mesma informação, o Banco Nacional de Angola (BNA) esclarece que "se confirmou a subscrição do capital social", conforme o próprio banco central tinha deliberado, há uma semana, no âmbito das medidas de saneamento e da intervenção direta no BESA. Embora sem revelar o peso de cada participação, o BNA informa que "sob aprovação prévia do regulador", a assembleia-geral de hoje decidiu pela "continuidade do acionista Geni, S.A.", que anteriormente detinha uma participação de 18,99 por cento.

A nova estrutura acionista envolveu também a entrada para o capital do agora Banco Económico da Lektron Capital, do grupo petrolífero estatal Sonangol e do português Novo Banco. "Por outro lado, e sob proposta dos acionistas, o Banco Nacional de Angola autorizou a alteração da designação do banco para 'Banco Económico, SA'", refere a mesma informação.

O conselho de administração do BNA, liderado por José de Lima Massano, deliberou também o fim da intervenção direta no ainda banco BESA, a partir do dia 31 de outubro. Nesse dia cessam as funções que vinham exercendo os administradores provisórios designados para o efeito (desde 4 de agosto), podendo os acionistas voltar a assumir a gestão do banco."Mantendo o Banco Nacional de Angola o acompanhamento da implementação plena das medidas extraordinárias de saneamento, bem como de um novo plano estratégico", refere o banco central.

Seis medidas para 'salvar' o BESA

Recorde-se  que a 20 de outubro, o BNA ordenou seis medidas a aplicar em sete dias úteis visando a continuidade do BESA, depois de analisar a evolução da situação financeira daquele banco, decorrente das medidas de saneamento adotadas face ao volume de crédito malparado. Uma dessas medidas envolvia o aumento de capital, de 65.000 milhões de kwanzas (494 milhões de euros, à taxa cambial de 4 de agosto, quando o BESA foi intervencionado), a realizar pelos acionistas ou entidades "por si convidadas", aceites pelo banco central, para "assegurar o cumprimento dos rácios prudenciais mínimos", explicou na altura o BNA.

Já o Banco de Portugal tinha confirmado em agosto que o crédito de 3,3 mil milhões de euros que o BES tinha concedido ao BESA passou para o Novo Banco, estando totalmente provisionado. Agora, conforme decisão divulgada também a 20 de outubro pelo BNA, o Novo Banco fica com uma participação de 9,9% no capital social do ex-BESA, por conversão de 53,2 milhões de euros do empréstimo, titulado, àquela instituição.

Foi ainda decidido um aumento do capital "por conversão de parte do empréstimo interbancário sénior" - titulado pelo Novo Banco -, em 360.768 milhões de kwanzas (2,74 mil milhões de euros, à data de 4 de agosto), "seguido de uma redução dos capitais próprios dos acionistas por absorção da totalidade dos prejuízos acumulados".