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Alimentos podem aumentar até 50%

Quando a crise financeira acalmar os consumidores podem ter outra má notícia. Especialistas e investigadores prevêm fortes aumentos nos preços das matérias-primas agrícolas.

"Quando a crise financeira terminar e os seus efeitos tiverem passado, prevemos que o valor das matérias-primas agrícolas aumente entre 10 a 50%". A afirmação foi proferida por Stefan Tangermann, director da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para a agricultura, num encontro realizado em Essen, na Alemanha.

No evento, que reuniu 180 investigadores da Bayer CropScience, um departamento de investigação daquela empresa química, o responsável da OCDE lembrou ainda que vivemos uma altura conturbada, com a crise financeira mundial a provocar uma descida dos preços das matérias-primas agrícolas.

No entanto, acrescenta, "é importante termos noção de que após este período, certos factores de efeito no longo prazo - como o aumento da população mundial, limitação das áreas agrícolas, alterações climáticas, crescimento da procura de alimentos e bio-combustíveis - vão voltar a ter um grande impacto na evolução dos preços".

Stefan Tangermann, deixou ainda claro que a agricultura tem de tornar-se mais produtiva a nível mundial para aumentar e garantir o fornecimento de bens alimentares a longo prazo.

Também presente no encontro de Essen, Tim Wheeler, director do Grupo Agricultura e Ambiente no Instituto Walker, da Universidade Reading de Inglaterra, disse que as alterações climáticas vão aumentar bastante o risco das culturas.

Por isso, "os agricultores vão ter que se adaptar a temperaturas mais elevadas e a chuvas mais intensas. As mudanças climáticas são um dos grandes desafios que se colocam à procura global de alimentos nos próximos 50 anos".