Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Algarve é campeão nacional do desemprego

O Verão está aí, mas nem por isso o Algarve dá sinais de grande melhoria ao nível do emprego. Em Maio, quando comparado com o ano passado, o aumento foi de 30%, nos desempregados.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

Durante quatro anos, Marta Mendes, que acabara de sair da Universidade, trabalhou numa empresa em Faro, na área do marketing e publicidade. Hoje, é mais uma das 26 mil pessoas a engrossarem as filas dos Centros de Emprego no Algarve, a região onde o desemprego mais subiu, em termos homólogos, em todo o país.

"Não espere receber nenhuma proposta a partir do Centro de Emprego", avisou-a logo à partida uma funcionária da Instituição.  "O marketing nem sequer fazia parte do menu, da lista de empregos existentes", afirma Marta, 28 anos, ao Expresso.

A empresa onde trabalhava fechou, ficou sem receber subsídios de férias e de Natal e para poder recorrer ao subsídio de desemprego acabou por ter de avançar com uma acção em tribunal.

Inscrita desde Abril, tem procurado novas oportunidades de trabalho e até já aceitou uma mas - sinais dos tempos - a estratégia de vendas da empresa era 'demasiado agressiva'."Recebíamos pressões constantes, havia um controlo ao minuto pelos nossos superiores e até recebíamos SMS a dizer que o X já tinha vendido muito, que o Y também e que nós não prestávamos", recorda.

Tem esperança num contrato a breve trecho, a partir de um outro contacto pessoal, mas reconhece que no Algarve, arranjar emprego, sendo licenciado, é mais difícil do que um bom lugar ao Sol, nos meses de Verão: "Hoje as empresas não contratam só por contratar. É preciso uma boa perspectiva de rentabilidade do funcionário", garante.

Sindicatos avisam: o Verão não vai ser melhor

E rentabilidade é o que mais tem faltado, nos últimos meses, a uma região dependente essencialmente do turismo e dos mercados externos, também eles em crise, caso do Reino Unido e da Alemanha.

Com os hotéis vazios, nem os contratos temporários escapam, aqueles que habitualmente eram contratados em Março ou Abril para garantir os hotéis até Outubro.

"Ninguém imaginaria há um ano atrás que teríamos este nível de desemprego e já nessa altura tínhamos 18 mil desempregados", recorda António Goulart, líder da União de Sindicatos do Algarve.

Segundo dados do IEFP relativos a Maio, o Algarve subiu 31,8% em número de desempregados, quando comparado com Maio de 2009. É por isso que Goulart admite que o Verão não será solarengo para a região algarvia e muito menos o Inverno: "Sabendo que não há programas do Governo , que muitas empresas estão em situação complicada e podem fechar em Janeiro e com as medidas de desincentivo ao consumo, o futuro não se perspectiva melhor", diz.

"Podemos vir a ter o mesmo aumento em termos homólogos em Julho e Agosto o que será um desastre", acrescenta. "Só nos faltam mesmo as portagens na Via do Infante, no Pacote do Governo para Afundar a Economia!", conclui.