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Alemanha quer cortar nos militares

A chanceler alemã anunciou um "pacote drástico" para os próximos três anos. Em 2011, o corte de despesas públicas será de 11,2 mil milhões. As Forças Armadas poderão ter no futuro uma redução de 40 mil efectivos e o "monstro" de subsídios sociais e a sectores económicos vai emagrecer.

Jorge Nascimento (www.expresso.pt)

Depois de reuniões muito acesas desde domingo dentro da coligação que suporta o governo de Berlim, a chanceler Angela Merkel anunciou hoje o seu sparpaket (pacote de poupanças) para a despesa pública alemã.

O plano de austeridade somará 80 mil milhões de euros até 2014, com uma primeira fatia de 11,2 mil milhões já em 2011. Esta poupança no próximo ano, na verdade, é menos de 1% da despesa governamental prevista, "desdramatiza" o jornal Die Welt.

Os alvos principais

Mas as más noticias dos cortes espalharam-se rapidamente. As Forças armadas alemãs (a Bundeswehr) poderão ter de reduzir, no futuro, "cerca de 40 mil" efectivos no seu corpo de defesa, que mobiliza hoje 250 mil militares. Segundo o jornal Der Spiegel, o ministro alemão da pasta, Karl-Theodor zu Guttenberg, ficou de estudar até Setembro a forma de operar esta eventual redução. Para a agência Eurointelligence, esta reestruturação militar poderá significar um corte de €2 mil milhões a partir de 2013.

O segundo terreno de cortes é o mundo de subsídios que disparou na Alemanha nos últimos anos. No orçamento para 2010 constavam €24,4 mil milhões em reduções de impostos, aumento de subsídios diversos, ajudas a sectores específicos económicos e industriais com capacidade de lóbi. Mais de metade deste pacote de subsídios era destinado, segundo o Der Spiegel, à indústria alemã. Merkel anunciou nomeadamente que pretende poupar 2,2 mil milhões em subsídios sociais (afectando nomeadamente os desempregados de longa duração).

Por outro lado, quer arrecadar novos impostos cirurgicamente. Na linha de ataque está o tráfego aéreo com uma taxa ecológica e um imposto sobre o combustível de origem nuclear fornecido pelos quatro consórcios alemães (E.on, RWE, Vattenfall e EnBW) que deverá render 2,3 mil milhões. Continua de pé a ideia de um imposto sobre os mercados financeiros, a famosa taxa sobre as transacções financeiras, que foi chumbada este fim de semana na cimeira dos ministros do G20 em Busan, na Coreia do Sul. Merkel pretenderia arrecadar €2 mil milhões por ano nesta medida.

Decisão simbólica é, também, a suspensão da planeada reconstrução do Palácio Imperial em Berlim (Stadtschloss, do kaiser Guilherme II), cujas obras foram adiadas de 2011 para 2014, remetendo uma despesa de €440 milhões para essa altura.

Foi referido, ainda, que Merkel pretenderá "emagrecer" o funcionalismo federal em 15.000 empregados até 2014.

Boas notícias

Nas boas noticias para os contribuintes alemães listam-se a decisão de não mexer no IVA nem no imposto sobre rendimentos. Também a Educação e a Investigação & Desenvolvimento não sofrerão cortes - pelo contrário, Merkel prometeu um aumento de 12 mil milhões para estas áreas durante a legislatura.

Do ponto de vista político a nível europeu, Merkel pretende marcar uma linha de consolidação orçamental que lhe permita exigir aos seus parceiros a mesma conduta."Temos o dever de dar um bom exemplo", disse a chanceler.

Internamente, Merkel tenta inverter o plano inclinado no apoio popular. A opinião pública alemã "assustou-se" com o disparo da dívida pública que subiu sete vezes - de €11,5 mil milhões em 2008, no início da crise financeira mundial, para 80,2 mil  milhões estimados para 2010. Em percentagem do PIB, esta dívida pública atingirá os 78,8% (a portuguesa atingirá os 85,8%), quase vinte pontos percentuais acima do "limite" de 60% instituído pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento derivado do Tratado de Maastricht.