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A passagem de Rui Machete pelo BPN e o BPP

O novo MNE foi durante anos presidente do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN, uma informação omitida na biografia oficial. Apesar de ter presidido ao órgão que representava os acionistas do BPN, o nome de Machete não aparece referido em nenhum dos casos sob investigação.  

Anabela Campos e Isabel Vicente

Social-democrata e ex-vice-primeiro-ministro do governo do Bloco Central no início dos anos 80, Rui Machete teve ligações a dois dos bancos que foram alvo de intervenção pública, o BPN, nacionalizado em dezembro de 2008, e o BPP, declarado insolvente. Informação que não é revelada na biografia oficial de Rui Machete, enviada na terça-feira para os órgãos de comunicação social. É a segunda vez que o Governo omite no curriculum de novos governantes a passagem pela BPN, o primeiro caso foi o de Fraquelim Alves, aquando da nomeação para secretário de Estado da Inovação e do Empreendedorismo.

No BPN, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros foi, até à nacionalização, presidente do Conselho Superior, órgão onde estão representados os acionistas do banco liderado por Oliveira Costa. Era um órgão que reunia poucas vezes por ano - duas a três, segundo uma fonte ligado ao processo -, e cuja função formal é fiscalizar a ação do banco. Rui Machete foi presidente do Conselho Superior da SLN entre 2007  e 2009, mas tinha sido presidente do Conselho Consultivo do BPN SGPS desde 2004.  

No Banco Privado Português (BPP), instituição criada por João Rendeiro, Rui Machete foi membro do Conselho Consultivo, na qualidade de presidente da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), que detinha 3% do capital da instituição. Um investimento que a FLAD perdeu quando o banco foi à falência e que causou desconforto na fundação.

Rui Machete não tem, até ao que se apurou neste momento, uma participação acionista no BPN, pelo menos uma posição de relevo. O BPN, banco criado por Oliveira Costa, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo de Cavaco Silva, está a ser investigado por um conjunto de alegadas irregularidades e fraudes. O BPN foi entretanto comprado pelo angolano BIC e já teve a injeção a fundo perdido de 4 mil milhões de euros por parte do Estado português.

Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, é advogado e especialista em Direito administrativo, tem experiência governativa acumulada: foi secretário de Estado da Emigração em 1975, ministro dos Assuntos Sociais (1977-1979), e mais tarde ministro da Justiça (1983-1985) e vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa (1985) do executivo de coligação entre o PS de Mário Soares e o PSD de Mota Pinto.