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"A convivência com a Telefónica não é possível", diz Ricardo Salgado

O presidente do BES, accionista de referência da PT, admite que o operador histórico português não está livre de uma OPA da Telefónica, e afirma que a convivência com a congénere espanhola tornou-se mais difícil.

Anabela Campos (www.expresso.pt)

"Uma OPA (sobre a PT) é sempre possível. Por enquanto ainda existe uma coisa chamada golden share (que pode ajudar a travar a OPA), mas não sei por quanto tempo. Nós não queremos vender a participação da PT na Vivo. Mas o preço que os espanhóis ofereceram é quase a capitalização bolsista da PT, o que quer dizer que a OPA é possível. Temos um constrangimento à nossa frente, que é procurar perceber, de uma vez por todas, que esta convivência com a Telefónica não é possível. Temos de encontrar uma solução", afirmou Ricardo Salgado em Nova Iorque, onde se encontra no âmbito do road show das empresas e da economia portuguesa  no mercado norte-americano.  Quanto à solução para resolver a forma convivência com a Telefónica depois da rejeição da PT, Ricardo Salgado, remeteu a resposta para o presidente da PT, Zeinal Bava.



"A nossa vida não está fácil e os espanhóis apanharam-nos num momento de fragilidade, a Telefónica é uma empresa enorme, global. Também quero dizer, e isto não é política, que as comissões de inquérito no Parlamento (na sequência da tentativa falhada da PT tentar comprar a Media Capital) não ajudaram nada a PT", acrescentou.  A Telefónica é a maior accionista da PT, com 10% do capital.

 

Ricardo Salgado reafirmou que o BES defende que a PT não deve vender a Vivo, mas quando questionado sobre a possibilidade de a Telefónica subir a actual oferta de 5,7 mil milhões de euros, respondeu: "Tudo na vida se compra e se vende, menos uma coisa, a honra". "Não estou a dizer com isto a dizer que apoiamos a venda da Vivo. A venda da Vivo significaria para a PT perder o seu potencial futuro. Para ser feito tem de ser feito de forma a que o futuro não fique amputado, nem  comprometido", sublinhou.

Ricardo Salgado deu ainda a entender que a troca de activos com a Telefónica, para resolver a situação não seria uma solução que lhe agradaria. "Não (defendemos a troca activos), admitimos comprar os 50% da Telefónica na Vivo. A fusão da Vivo com a Telesp (operadora fixa da Telefónica no Brasil) é o que a Telefónica pretende, mas isso significaria a PT perder a independência", sublinhou.