Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Imprensa espanhola ridiculariza descontos nas portagens das ex-scut

FOTO JOÃO CARLOS SANTOS

O jornal Salamanca Al Dia, noticiava, esta semana, que os turistas espanhóis terão de começar a vir para Portugal de camião para poderem ter descontos nas auto-estradas. É que, os descontos anunciados pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, não são extensíveis a automóveis ligeiros

A imprensa regional espanhola ridicularizou esta semana a medida recentemente anunciada pelo ministro das Infraestruturas Pedro Marques, relativamente à redução de custos nas portagens das auto-estradas ex-scut.

A edição digital do jornal Salamanca Al Dia, noticiava que, segundo um empresário português da Beira Interior, os turistas espanhóis terão de começar a vir para Portugal de camião para poderem ter descontos nas auto-estradas.

Isto porque, de acordo com as alterações aprovadas pelo Governo – aos preços das portagens – que entraram em vigor no início do ano, os grandes beneficiados pelas reduções de custos são precisamente as empresas de camionagem e toda a gama de carros comerciais. Ainda assim, os descontos recaem sobre os veículos registados nas zonas de baixa densidade e, sobretudo, nos que se desloquem pelas ex-scut entre as 20h00 e as 8h00.

Uma situação 'triste e caricata'

“Tudo isto é triste e caricato pois, como é sabido, 25% dos turistas que visitam Portugal entram no país por via rodoviária e, desses, a esmagadora maioria vem de Espanha e, obviamente, não se fazem transportar nem em camiões nem em carros comerciais”, enfatiza Luís Veiga, empresário turístico na região da Serra da Estrela e um dos impulsionadores da Plataforma P’la Reposição das SCUT.

O mesmo responsável lembra também que é altamente injusto que todos os utentes de automóveis ligeiros de passageiros nacionais (ou visitantes ou naturais das regiões servidas quer pela A23 quer pela A25) não sejam beneficiados rigorosamente com nada nesta ‘vaga’ de anúncios de descontos por parte do Governo.

“Afinal de contas, o que se pretende é fixar pessoas nas regiões de baixa densidade ou continuar a dar-lhes motivos para saírem de cá?”, questiona Luís Veiga.

“O argumento do ministro das Infraestruturas de que reduzir portagens para os veículos de mercadorias com um desconto adicional de 25% (aos 15% já existentes) para empresas sediadas em territórios de baixa densidade vai levar à fixação de empresas, naqueles territórios, destacando ainda que este regime de portagens ‘irá manter e criar mais emprego’, é destituído de qualquer fundamento económico”, pode ler-se numa nota distribuída pela Plataforma.

Distribuir 'esmolas' pelo interior

Esta organização, que representa a Sociedade Civil, revela que só o desconhecimento da situação em que os residentes vivem na região onde que são obrigados a pagar para circular (pela inexistência de alternativas) permite este tipo de comentários sem nexo. E, outro empresário ligado ao turismo, também membro da Plataforma, questiona se, “agora, os turistas vão passar a vir à Serra da Estrela em veículos comerciais para terem uma redução nas portagens?”

Os responsáveis da Plataforma asseguram que, com as medidas agora anunciadas, o Governo mais não faz do que distribuir “esmolas”, sobre um território que continua à espera de medidas de fundo, que desenvolvam, de uma vez por todas, a economia das regiões servidas pelas ex-scut.

Seis euros para ir a Madrid, mais de 20 euros para Lisboa

O empresário Ricardo Fernandes, da área da construção e do imobiliário, sedeado na Covilhã, lembra ainda o caricato que é poder chegar a Madrid com pouco mais de €6 de portagens, num carro ligeiro de passageiros e, para ir a Lisboa buscar clientes, gasta mais de €20 nas auto-estradas.

“São estes desequilíbrios que continuam a fazer de Portugal um país a duas velocidades, com a agravante, em termos de acessibilidades, de também continuarmos a ser servidos de comboios com várias décadas, totalmente desadequados e desconfortáveis, indignos para todos quantos vivem nesta região”, sublinha Ricardo Fernandes.

O representante da Plataforma P’la Reposição das SCUT, Luís Veiga, nota que hoje é mais fácil e mais barato ir apanhar um avião a Madrid que a Lisboa, porque, para ir à capital espanhola gasta-se menos em portagens e em gasóleo. “Tudo isto é ridículo e vazio de sentido, mas é o que temos”.