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Economia da zona euro está “frágil”, avisa o BCE

Os riscos para a economia da zona euro podem ganhar, de novo, predominância e obrigar o Banco Central Europeu a reavaliar a estratégia, revisitando, nomeadamente, o papel das linhas de crédito barato à banca, revelam as atas da última reunião de 12 e 13 de dezembro

A economia da zona euro está "frágil" e os riscos podem reganhar rapidamente a predominância obrigando o Banco Central Europeu (BCE) a afinar a sua estratégia de política monetária, alertam as atas da última reunião realizada a 12 e 13 de dezembro, publicadas esta quinta-feira.

Na discussão havida, os banqueiros centrais do euro admitem revisitar o papel das linhas de crédito à banca direcionadas para impulsionar a economia real, conhecidas pelo acrónimo em inglês TLTRO. Linhas que se destinam a conceder empréstimos de longo prazo aos bancos, oferecendo-lhes um incentivo para que disponibilizem mais crédito às empresas e aos consumidores na área do euro.

Os analistas estão a interpretar esta menção específica às linhas TLTRO como um recurso a que o BCE poderá deitar mão como medidas de estímulos no caso da conjuntura na zona euro se agravar em virtude dos riscos derivados da geopolítica, do protecionismo crescente, da vulnerabilidade dos mercados emergentes e da volatilidade dos mercados financeiros. O recurso a novas linhas de TLTRO permitiria reforçar os estímulos sem mexer na decisão tomada de descontinuar o programa de compra de ativos.

Recorde-se que, na última reunião de 2018, o BCE confirmou a descontinuação do programa de compra de ativos no final de 2018 e manteve a estratégia definida de manter um certo grau de política monetária de estímulos através do plano de reinvestimento das amortizações dos títulos de dívida pública e privada que tem em carteira e da garantia de não começar a subir as taxas diretoras até durante o verão de 2019.

O BCE realiza a primeira reunião do ano a 24 de janeiro, depois de publicados os dados do crescimento económico da Alemanha, a principal economia do euro.

Nas previsões publicadas em dezembro, o BCE reviu em baixa o crescimento de 2019 a 2021. E o Banco Mundial, nas projeções divulgadas esta semana, é ainda mais pessimista do que o BCE sobre a desaceleração na zona euro. Por exemplo, para 2019, o BCE reviu o crescimento de 2% para 1,7% e o Banco Mundial aponta para 1,6%.