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Condenação do Banco de Portugal: Morais Pires diz que é “perversamente injusta e notoriamente interessada”

O ex-administrador financeiro do BES, Amílcar Morais Pires, que foi condenado ao pagamento de uma coima de 1,2 milhões de euros pelo Banco de Portugal, diz que a decisão é injusta porque estava a "pôr a funcionar bem o que anteriormente tinha sido posto a funcionar mal por Álvaro Sobrinho, como bem sabe o Banco de Portugal"

Amílcar Morais Pires reagiu à condenação do Banco de Portugal relativa à ocultação de informação sobre financiamentos superiores a 3 mil milhões do BES ao BESA, o qual lhe aplicou uma coima de 1,2 milhões de euros, através de um comunicado.

O ex-administrador financeiro do BES diz que "face à divulgação efetuada esta quinta feira pelo Banco de Portugal nos media nacionais, em que procura junto da imprensa e, através dos media, na opinião pública, criar uma perceção de 'condenações e julgamentos definitivos pelos tribunais', informo que vou recorrer desta decisão do Banco de Portugal precisamente para o único tribunal competente. Esta decisão sobre irregularidades no Banco Espírito Santo Angola é perversamente injusta e notoriamente interessada".

E, na primeira pessoa, o antigo gestor do BES faz questão de sublinhar que a decisão é "perversamente injusta, porque a intervenção que tive no Banco Espírito Santo Angola foi a de pôr a funcionar bem, entre 2012 e 2013, o que anteriormente tinha sido posto a funcionar mal por Álvaro Sobrinho, como bem sabe o Banco de Portugal".

Quanto ao facto de ser "notoriamente interessada", argumenta que esta constituiu uma forma de o "Banco de Portugal e os seus administradores tentarem encontrar bodes expiatórios para o ato gravíssimo e extremamente danoso para o Estado português que cometeram em julho/agosto de 2014, quando controlavam o BES".

Morais Pires prossegue com a explicação de que "esse ato – que recentemente denunciei em 14.12.2018 através de uma ação popular que intentei contra o Banco de Portugal – foi o de não terem feito acionar, tendo antes deixado revogar, a garantia soberana de 5,7 mil milhões de dólares (cerca de 4,2 mil milhões de euros) que a República de Angola, em grande medida devido à minha intervenção junto dos mais altos órgãos do Estado angolano, concedeu em 31.12.2013 ao grupo BES, em geral, e ao Banco Espírito Santo Angola em especial. E a perda desse valor, além de ser um prejuízo em si mesma, contribuiu – e muito – para o montante, de precisamente cerca de 4 mil milhões de euros, que o Estado português teve que pôr no Novo Banco e aí foi totalmente perdido".