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Costa satisfeito com acordo para o novo aeroporto: “Pagamos um custo muito elevado pela não decisão”

Nuno Botelho

Na cerimónia que marcou a assinatura do acordo de financiamento da expansão aeroportuária, no Montijo, o primeiro-ministro sublinhou a importância do novo aeroporto para a economia portuguesa

O primeiro-ministro, António Costa, manifestou esta tarde uma “grande satisfação” pelo acordo de financiamento da expansão aeroportuária alcançado esta terça-feira, sublinhando a importância da solução encontrada e a relevância que o novo aeroporto terá para a economia portuguesa.

“Um aeroporto não vale só por si. É uma plataforma de suporte à atividade económica de um país e à vida de uma sociedade”, afirmou durante o discurso que marcou o encerramento da cerimónia de assinatura do acordo, onde estiveram presentes vários elementos do Governo, o responsável máximo da Vinci, Xavier Huillard, e o presidente da Vinci Aeroportos, Nicolas Notebaert.

O chefe do executivo começou por lembrar que “tinha 7 anos quando, há 50, o então Governo de Marcello Caetano constituiu o gabinete para o estudo do novo aeroporto de Lisboa”. Pelo muito tempo que passou, Costa considerou que Portugal pagou “um custo muito elevado pela não decisão”. Um custo, acrescentou, que se traduziu “na asfixia atual do aeroporto da Portela e na dificuldade de o desenvolvimento económico do país ser suportado, “no turismo, mas não só”.

“Seriam possíveis outras soluções”, admitiu, “mas agora já não”: “O tempo não volta para trás e agora temos de fazer o que é necessário fazer”.

“Temos que aprender lições”, defendeu Costa. E entre as lições aprendidas está o facto de as decisões terem de “assentar em informação técnica, transparente, sindicável e segura e que seja partilhada por todos”, observou, pelo que fez questão de destacar a importância do ressurgimento do Conselho Superior de Obras Públicas.

Sobre o novo aeroporto, o primeiro-ministro considerou que “a decisão deve ser tão consensual quanto possível e deve ter validação parlamentar e à qual todos se possam associar”, notando que o pluralismo define os sistemas democráticos, mas que, depois de decididas, “as alternativas devem ser executadas”.

O governante sublinhou que nestas decisões deve ainda haver “continuidade do Estado”. “Tem que se dar continuidade ao que o poder político legítimo toma e que quem lhe sucede deve continuar”, disse.

O acordo de financiamento do novo aeroporto do Montijo e alterações na atual infraestrutura Humberto Delgado, em Lisboa, foi assinado esta tarde entre a ANA - Aeroportos de Portugal e o Estado, na base aérea da Força Aérea do Montijo, que em 2022 deverá estar pronta para o uso civil.

A terminar, António Costa deixou uma palavra para “o amigo” Pedro Marques, referendo-se ao trabalho desenvolvido pelo ministro do Planeamento e das Infraestruturas. “Não há equipas sem uma boa liderança”, afirmou, para concluir que é tempo agora de lançar “mãos à obra”.

Novo aeroporto “não será apeadeiro”

Antes de António Costa, também o ministro Pedro Marques saudou a assinatura do acordo, que justificou como urgente, apesar de ainda ter sido entregue o Estudo de Impacto Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente. “Podemos ganhar meses”, considerou: “meses com a expansão do aeroporto Humberto Delgado e meses nos projetos do aeroporto do Montijo”.

Para o ministro do Planeamento, “seria irresponsável não aproveitar esta possibilidade em benefício da economia do país”.

Ao frisar que o novo aeroporto “não será um apeadeiro, mas um “aeroporto internacional”, “muito competitivo” e “seguro”, Pedro Marques estimou que ele venha a permitir a criação de “mais de dez mil postos de trabalho” (diretos e indiretos).

O ministro deixou um elogio para a “negociação leal, mas complexa”, que decorreu ao longo de dois anos, e deixou uma garantia: “Serão implementadas todas as medidas do Estudo de Impacto Ambiental. Um qualquer aeroporto ou cumpre as regras ambientais ou não existirá”.

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    Autarca de Lisboa congratula-se com o acordo de financiamento da expansão aeroportuária alcançado esta terça-feira, que irá resolver “um dos principais problemas do desenvolvimento económico do país”. O aeroporto da capital “será levado a novas alturas, com base num compromisso de qualidade e garantindo a sustentabilidade”, afirma por sua vez o presidente executivo da ANA