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Elétricas vão poder fixar preços da energia para daqui a sete anos

Lucíllia Monteiro

Gestor da bolsa de contratos futuros do Mercado Ibérico de Eletricidade avança com a criação de novos contratos a seis e a sete anos, que deverão facilitar o desenvolvimento e financiamento de novos projetos de energias renováveis

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O Omip, operador da bolsa de contratos futuros do mercado ibérico de eletricidade (Mibel), passará a disponibilizar esta terça-feira, 8 de janeiro, novos produtos, que permitirão aos comercializadores fechar preços de aquisição de energia com maturidades de seis e sete anos.

A criação destes novos contratos futuros dá “a possibilidade de negociar em 2019 o contrato anual com vencimento em 2026, abrange os contratos sobre eletricidade, nas zonas portuguesa, espanhola, francesa e alemã, e vem dar resposta ao crescente interesse manifestado pelos agentes”, sublinha o Omip em comunicado.

Atualmente são transacionados no Omip contratos semanais, mensais, trimestrais e anuais, que vão até cinco anos (ou seja, permitindo às elétricas determinar um preço de referência para a sua energia até 2024). Além do Omip, o Mibel conta com uma plataforma de negociação de energia à vista (com entrega num prazo de 24 horas), sendo essa operação do mercado "spot" gerida pela empresa espanhola Omie.

Segundo a entidade que gere o mercado de futuros do Mibel, estes novos contratos de prazo mais longo permitirão “conjugar a realidade das necessidades de financiamento de projetos de energias renováveis, que implicam compromissos em prazos cada vez mais longos (Power Purchase Agreements - PPA), e o grande volume de licenças renováveis atribuídas, nomeadamente em Portugal e Espanha”.

Ao negociar preços para daqui a sete anos, os produtores e comercializadores da Península Ibérica conseguirão mais facilmente fechar contratos bilaterais de compra e venda de energia elétrica com uma referência de mercado, o que facilitará o financiamento de novos projetos de energias renováveis (cujo custo se concentra maioritariamente no investimento inicial, ao contrário das centrais termoelétricas, que ao longo da sua vida útil têm uma componente relevante de custos variáveis associados à compra de combustível).

Jorge Simão, administrador do Omip, refere, no mesmo comunicado, que esta plataforma “irá prosseguir o trabalho de ampliação do prazo da curva de futuros de energia elétrica, tendo como objetivo adaptar a sua oferta às necessidades do mercado, nomeadamente no financiamento de projetos de energia renovável”.