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Imobiliária espanhola faz 240 casas no Parque das Nações

O terreno da Kronos está atualmente ocupado por um parque de estacionamento

José Fernandes

Projeto fica em frente ao hospital CUF Descobertas e representa um investimento de €100 milhões

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A imobiliária espanhola Kronos Homes, que entrou em Portugal no verão do ano passado, vai construir mais de 200 casas para primeira habitação no Parque das Nações, em Lisboa.

O empreendimento, que ficará situado em frente ao hospital CUF Descobertas, ainda se encontra em fase de desenvolvimento, estando previsto que comece a ser construído em 2020 para que os primeiros apartamentos sejam entregues em 2022.

Contudo, as vendas serão lançadas já em 2019, e apesar de estarem planeadas casas que custam €1,5 milhões, haverá preços mais acessíveis para os compradores portugueses que agora procuram casa na capital, garante ao Expresso o sócio da Kronos Homes em Portugal, Rui Meneses Ferreira.

“Nunca teremos o preço como principal elemento diferenciador, o que nos distinguirá será a arquitetura e o design. Ainda assim, os preços praticados atualmente no Parque das Nações situam-se, nos projetos de maior qualidade, mesmo em segunda mão, num intervalo entre os €5 mil e os €6 mil por metro quadrado. Estes serão os preços que utilizaremos no lançamento e seguramente existirão apartamentos a partir de €300 mil”, adiantou.

É por isso que Rui Meneses Ferreira acredita que “uma parte substancial do projeto será adquirida por portugueses”.

INVESTIMENTO DE €100 MILHÕES

O empreendimento do Parque das Nações ainda está em desenvolvimento, mas já existe uma ideia geral do que se pretende fazer. O objetivo é construir quatro edifícios com um total de 14 pisos cada um e com “220 a 240 apartamentos com tipologias T0 a T4”. Além disso, haverá “uma zona comum central, com jardins e, à partida, uma piscina, destinados exclusivamente aos futuros moradores” e ainda “uma parte de comércio que poderá vir a ter uma zona de restauração”, explica ao Expresso o sócio da Kronos Homes.

Quer isto dizer que, quando as obras arrancarem, este será um dos maiores projetos para primeira habitação em construção em Lisboa e em Portugal, não só em valor de investimento — €100 milhões — mas também em número de casas. É que a maior parte das obras que se têm feito na capital nos últimos três a quatro anos são reabilitações de pequenos prédios com pouco mais de 30 apartamentos. Há até muitos casos de empreendimentos com menos de 15 casas, o que faz com que os preços subam para cima de €1 milhão.

Mas fazer grandes empreendimentos para primeira habitação em Portugal — nomeadamente nas zonas de Lisboa, Oeiras e Porto — sempre foi o principal objetivo da Kronos Homes quando decidiu iniciar atividade no país. Aliás, foi mesmo uma das concorrentes no leilão da Feira Popular. “Estamos focados em comprar terrenos para desenvolver e não em fazer reabilitação de prédios já existentes”, disse o sócio-fundador, Saida Hejal, em julho, aquando da apresentação da empresa.

Contudo, este não tem sido um objetivo fácil. “O esforço que empreendemos na análise e viabilidade das oportunidades e a exigência que mantemos na escolha dos nossos projetos levam a que as oportunidades que nos interessam sejam sempre escassas, apesar da nossa procura constante pelas mesmas”, repara Rui Meneses Ferreira.

Mas a Kronos Homes continua à procura e mantém as metas que traçou para Portugal, apesar dos primeiros empreendimentos que começou a desenvolver no país serem de segunda habitação no Algarve (ver caixa de pontos). “O projeto do Parque das Nações é o nosso primeiro grande projeto de primeira habitação, mas temos como objetivo ter mais dois projetos em curso até ao final de 2019”, conclui.

À PROCURA DE TERRENOS GRANDES

Atualmente são poucos os espaços com dimensão para fazer projetos deste tipo com mais de 100 ou de 200 casas, principalmente na Grande Lisboa e no Grande Porto. Por exemplo, este terreno que a Kronos Homes comprou em frente ao hospital CUF Descobertas “é o último grande terreno disponível destinado a habitação no Parque das Nações”, comenta Rui Meneses Ferreira.

De facto, tal como o Expresso avançou em maio, aquando do aniversário da Expo-98, a maior parte dos novos projetos anunciados para o Parque das Nações são escritórios e hotéis. É o caso do Martinhal Residences, um misto de hotel e casas de luxo, com 150 unidades, ou do Exeo, um projeto de três edifícios de escritórios que a Avenue está a desenvolver junto à estação do Oriente.

OUTROS PROJETOS EM PORTUGAL

O empreendimento no Parque das Nações será o primeiro para primeira habitação, mas estão em estudo mais dois que podem ser anunciados este ano

Para já, a Kronos tem em curso um projeto de segunda habitação. Chama-se Palmares Resort e vão ser feitas 100 casas numa primeira fase. No total serão 400

Segundo Rui Meneses Ferreira, as vendas deste projeto arrancam “no segundo trimestre de 2019”, quando terminarem a instalação das redes elétricas, telecomunicações e águas e a construção da Club House

A Kronos está também a gerir as vendas de mais dois resorts que comprou quando entrou em Portugal: o Amendoeira e o Belmar, ambos no Algarve

A sul têm ainda mais um terreno na Praia da Luz onde pretendem fazer 100 casas também para segunda habitação