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Nunca se recorreu tanto às mediadoras

Há cerca de 20 anos, apenas 25% das pessoas que compravam, vendiam ou arrendavam casa recorriam a mediadoras

FOTO TIAGO MIRANDA

Estudo da Era revela que mais de 50% das transações já são oficiais

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

As empresas de mediação imobiliária, como a Era, a Remax ou a Century 21 foram, durante muitos anos, olhadas com alguma desconfiança por parte de quem queria comprar, vender ou arrendar uma casa ou qualquer outro tipo de imóvel. Ou porque entendiam que as comissões cobradas eram muito altas ou porque consideravam que as empresas iam colocar os preços mais altos para ganhar mais comissões e que isso iria dificultar a venda da casa. Prova disso é que, há cerca de 20 anos, apenas 25% das operações de compra, venda ou arrendamento de casas em Portugal eram feitas por mediadoras imobiliárias. A grande maioria era feita boca a boca ou então por empresas clandestinas ou não registadas pelo regulador do mercado. Mas agora, em 2018, a realidade é muito distinta.

De acordo com um estudo da Era, este ano, 57% das transações de compra, venda ou arrendamento foram realizadas por mediadoras. “É mais de metade do mercado, o valor mais alto que registámos e a primeira vez que ultrapassa a barreira dos 50%. No estudo anterior que fizemos em 2013 apenas 46% dos entrevistados recorriam a mediadoras”, adianta ao Expresso João Pedro Pereira, um dos membros da comissão executiva da Era, uma das empresas mais representativas deste mercado.

Para este responsável, esta é a primeira grande conclusão do estudo que foi realizado no início deste ano por uma entidade independente junto de 1286 inquiridos de todo o país. “Isto mostra que o sector está mais profissionalizado e que há mais confiança no tipo de serviço que presta, ou seja, estamos no bom caminho, mas ainda há muito para fazer”, diz.

De facto, de acordo com o mesmo documento, os 57% que concretizam negócios com a ajuda das mediadoras fazem parte de um universo de 72% que contactou mediadoras para comprar, vender ou arrendar uma casa. Ou seja, dos mais de mil entrevistados, 72% dizem ter contactado uma ou mais agências, mas depois apenas 57% fecharam negócio. Os restantes, ou decidiram não colocar a casa no mercado ou não comprar ou arrendar ou então foram para o mercado não mediado onde, diz o mesmo estudo, ainda se fazem 43% dos negócios relacionados com habitação em Portugal.

AS MOTIVAÇÕES

Para João Pedro Pereira, ter 72% de contactos é também uma melhoria. “É ligeira porque em 2013 eram 70% e ainda está dentro da margem de erro” mas, acrescenta, o estudo mostra que há melhoria no serviço prestado, porque a maioria das pessoas que contacta as agências entende que elas ajudam a encontrar a casa com melhor qualidade e também a poupar tempo na negociação de preços, processos administrativos e legais e na obtenção de financiamento. “Estamos a falar de um investimento que é para a vida e que tem um valor tão elevado que as pessoas não querem cometer erros e por isso recorrem aos profissionais”, repara João Pedro Pereira.

De facto, o estudo revela ainda quais as principais motivações que levaram a contactar as mediadoras, e 63% dos inquiridos responderam que o fizeram porque estas empresas tinham mais meios para ajudar a encontrar uma casa com a qualidade que queriam e que não desse problemas inesperados no futuro. Mas 57% responderam que fizeram o contacto por causa da seleção de casas que as empresas têm e 54% porque lhes permitia poupar tempo. “A negociação do preço da casa e a ajuda nos processos administrativos e de obtenção de financiamento só aparece depois”, respetivamente com 54%, 47% e 24%.

Outras conclusões mostram que dos 72% que contactaram as mediadoras, 39% escolheram apenas uma agência, o que é muito mais do que os 22% que o faziam em 2013. E mostram ainda que 19% contactaram duas agências, mas só 7% escolheram ligar a três ou mais (ver caixa).

REDUZIR MERCADO NÃO MEDIADO

João Pedro Pereira acredita que o mercado “está no bom caminho”, mas sabe que é preciso reduzir a fatia de 43% que ainda não recorre às mediadoras. “É um mercado que não está regulado, inclusive do ponto de vista do pagamento de impostos”, nota.

Ou seja, “ainda há muito para fazer”, diz, e um dos objetivos passa por prestar mais serviços às pessoas e ganhar mais confiança, desmistificando a questão das comissões. “A mediação imobiliária tem uma comissão de 5% que é mais do que um pagamento pelo serviço que é prestado. É um success fee, ou seja, uma espécie de taxa que só é paga se o negócio se concretizar. Se não vendermos a casa não ganhamos comissão e prestámos um serviço na mesma porque divulgámos e promovemos a casa, fizemos publicidade e visitas. É o mesmo que ir a um restaurante e não pagar se não gostarmos da comida”, conclui.

OS PRINCIPAIS ATRIBUTOS

Confiança

88% dos mais de mil inquiridos neste estudo destacaram a confiança como o principal atributo que uma mediadora deve ter.

Eficiência

A eficiência dos processos administrativos é mencionada como o segundo atributo mais importante, com 87% das respostas

Saber ouvir e defender

86% dos inquiridos querem mediadoras que os saibam ouvir e que defendam os seus interesses

Bom site e rapidez

85% consideram que é importante as mediadoras terem um bom site e também serem rápidas nos processos e tempos de resposta

Comissões mais baixas

80% das inquiridos gostariam que as comissões cobradas fossem mais baixas. Atualmente, são 5% do valor da casa

Saber promover a casa

A promoção/capacidade de publicitar uma casa é relevante para 80% dos inquiridos, muito abaixo de outros atributos

Melhores casas

79% querem que as mediadoras tenham melhores casas na base de dados