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Experiência pode garantir mais 60% no salário

Rui Duarte Silva

Indústria, tecnologias e áreas jurídica e financeira estão entre as que mais valorizam a senioridade

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

A experiência paga-se. Em alguns casos, bem. E os dados compilados pela Hays, no Guia do Mercado Laboral, comprovam-no. Se analisarmos o panorama salarial dos portugueses nos patamares intermédios de carreira (entre seis a dez anos), por comparação com as fases iniciais (até cinco anos de profissão), percebemos que há sectores em que a experiência e a senioridade garantem aumentos salariais brutos anuais na ordem dos 60%. E nestas contas não entram componentes variáveis, prémios ou outros benefícios em vigor nas empresas.

O sector do retalho (na área da moda) e a indústria farmacêutica são dois exemplos desta valorização. Segundo as contas realizadas pelo Expresso tendo como base o estudo divulgado esta semana pela consultora de recrutamento, e considerando os salários médios praticados para cada função, um designer de moda pode ganhar com seis anos de carreira mais 65% de salário médio bruto anual do que ganhava quando começou a trabalhar. Na indústria farmacêutica, um especialista de acesso ao mercado (market access specialist), ganhará no patamar intermédio da carreira mais 61%. E estas são as duas profissões que mais ganham com a experiência.

Tipicamente, é nas fases iniciais da carreira que os profissionais encontram maior valorização salarial e uma progressão mais rápida. A partir dos dez anos de profissão o ritmo de evolução, quer dos incrementos salariais quer da progressão, tende a ser menor. Mas esta valorização da experiência não é transversal a todos os sectores de atividade, nem às várias profissões dentro do mesmo sector.

Valorização desigual

As Tecnologias de Informação são disso um exemplo. Os números da Hays revelam, por exemplo, que neste sector um diretor de informática ou diretores tecnológicos e de inovação garantem, entre o início da carreira e o patamar intermédio, incrementos salariais na ordem dos 55% e dos 50,2%, respetivamente. Mas um especialista em UX/UI (user experience e user interface design) pode trabalhar dez anos que, à luz dos números da Hays, só ganhará em termos médios mais 0,4% do que ganhava no início da carreira. A explicação é simples: há profissões com maior procura e mais valorizadas do que outras pelo mercado.

Apesar disso, Paula Baptista, diretora-geral da Hays Portugal, considera que num contexto de crescente escassez de talento, “Portugal precisa de valorizar a experiência” também a nível salarial, nos patamares intermédios como nos de fim de carreira. “As organizações que têm estado a reforçar as suas estruturas com academias e programas de estágio orientados para recém-licenciados, necessitam de pontos de vista mais experientes para contrabalançar o peso das equipas jovens”, defende.