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Oposição a Tomás Correia antecipa resultado renhido no Montepio

Polémicas à parte, os candidatos às eleições do Montepio que se posicionam contra a lista de Tomás Correia, já votaram e estiveram em amena cavaqueira depois de exercerem o seu direito de voto. Esperam que tudo corra bem e prometem tornar o processo eleitoral mais transparente independentemente dos resultados

É o dia D para os associados do Montepio. Esta sexta-feira termina o processo eleitoral e durante o dia, até ás 18 horas quem quiser votar pode dirigir-se à sede da associação, na rua do ouro, em Lisboa. Da parte da manhã os candidatos às listas alternativas à de Tomás Correia (lista A), Ribeiro Mendes (lista B) e António Godinho (lista C) foram votar acompanhados dos seus apoiantes e membros que integram as suas equipas. E estiveram em amena cavaqueira, tendo-se cumprimentado (na foto com António Bagão Félix). Ambos acham que desta vez as eleições poderão estar mais renhidas, em relação ás últimas eleições nas quais Tomás Correia venceu por larga maioria face ao universo de associados que votaram.

Ribeiro Mendes lamenta que não tenha havido debate entre candidatos e que mais uma vez o processo eleitoral esteja confinado ao voto por correspondência, o que limita a participação dos associados. Ainda assim, espera que haja uma "boa participação presencial". Defende que no futuro possa haver mais mesas de voto presencial e não uma única mesa de votos em Lisboa, pois isso será uma forma de os associados serem mais participativos na vida da associação. "Se ganharmos, garantimos, haverá um processo eleitoral transparente e democrático", afirma João Proença candidato à presidência da mesa da Assembleia Geral da Associação pela lista de Ribeiro Mendes. Referindo que mais uma vez os candidatos não tiveram acesso aos cadernos eleitorais entre outros problemas.

Uma opinião partilhada pelo candidato António Godinho que acabou por se encontrar com Ribeiro Mendes quando ambos foram votar. Ambos prometem fazer tudo quanto dor possível para que nas próximas eleições seja possível ter mais mesas de voto e seja instituído o voto electrónico. Objetivo: tornar as eleições mais participativas. "Havendo uma só urna em Lisboa e mantendo-se os votos por correspondência, mantêm-se os associados à distância e temos de ter um conjunto de práticas que envolvam os associados". Godinho referiu ainda que "isto tem a haver com a crise de confiança que abala a associação mutualista e que tem diretamente a ver com as práticas de gestão que temos vindo ma assistir".

Geringonça daria jeito?

E quando questionado sobre se daria jeito formar uma gerigonça, já que não foi possível haver uma única lista alternativa a Tomás Correia, António Godinho afirmou que "tudo seria benéfico para encontrar uma solução a este ciclo de gestão, até essa tal geringonça daria jeito, tudo o que sirva para afastar esta gestão da associação mutualista estaremos disponíveis, mas esta situação já passa para um nível de responsabilidade das autoridades e reguladores e não apenas dos associados".

António Godinho, que junta pessoas tão diversas como Eugénio Rosa e Bagão Félix (na foto) adiantou ainda que "não está em causa apenas o processo eleitoral, está o pós eleições, nomeadamente a questão de idoneidade de outros elementos que se propõem a um novo mandato, ou seja a Tomás Correia, sobre o qual correm acusações do Banco de Portugal e investigações por parte do Ministério Público. "Se não existir hoje aqui uma renovação e uma vitória de uma lista da oposição, os problemas não ficam resolvidos, pelo contrário vão aumentar. A questão da idoneidade vai-se colocar já nos próximos dias"

Quer Ribeiro Mendes, quer António Godinho não se entenderam quanto à formação de uma lista única mas ambos defendem um processo eleitoral mais democrático, ambos querem reduzir as remunerações dos órgãos sociais e ambos falam de um novo ciclo para aproximar os mais de 600 mil associados da vida do Montepio. Ambos consideram que Tomás Correia não vai ter luz verde do regulador dos seguros porque é acusado num processo do banco de Portugal e está a ser investigado por crimes pelo Ministério Público. Uma situação que Tomás Correia desconsidera, por entender que não tem qualquer limitação.

Já depois dos seus opositores terem votado, Tomás Correia chegou ao Montepio a meio da manhã mas evitou os jornalistas ao entrar não pela porta principal, mas por uma outra.

O Montepio conta com mais de 600 mil associados, 420 mil dos quais com capacidade eleitoral. Nas últimas eleições, em 2015, votaram 56 mil associados, dos quais mais de 90% por correspondência. Este ano o número deverá baixar, já que, esta manhã apenas tinham sido contabilizados 40 mil votos por correspondência. Falta saber quantos votarão esta sexta-feira.