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Trambolhão nas bolsas com medo de nova Guerra Fria

As bolsas estão esta quinta-feira no vermelho pelo terceiro dia consecutivo. Euforia em torno da trégua EUA/China acordada no G20 foi sol de pouca dura. Prisão no Canadá da filha do fundador da Huawei chinesa adensa risco de escalada do confronto político entre Washington e Pequim

Uma vaga vermelha inunda esta quinta-feira os mercados de ações nos três continentes. Pela terceira sessão consecutiva, as bolsas registam perdas. A bolsa de Nova Iorque, que esteve fechada na quarta-feira, em virtude do funeral do ex-presidente George Bush, reabriu esta quinta-feira com quedas perto de 2% em Wall Street. Na Europa, as bolsas de Viena e Amesterdão lideram as quedas, com os índices a cair mais de 3%. Em Lisboa, o PSI 20 segue a tendência negativa europeia com um recuo de 1,9%.

O efeito de euforia da trégua de 90 dias acordada entre EUA e China à margem do G20 gerou um ganho mundial de 1,3% na segunda-feira, mas desde terça-feira que as dúvidas sobre o sucesso das negociações entre Washington e Pequim dominam os mercados.

A prisão preventiva no aeroporto de Vancouver, no Canadá, de Sabrina Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei e diretora financeira da mais importante multinacional privada chinesa, a pretexto de alegadas infrações a sanções ao Irão, lança uma nuvem sobre as negociações em torno da guerra comercial e faz temer uma escalada no confronto político entre as duas maiores economias do mundo. Os EUA pedem a extradição da executiva chinesa. Ainda, recentemente, o presidente Trump apelou ao boicote na compra dos produtos daquela multinacional chinesa. O Asian Times vaticinava esta quinta-feira o regresso de uma nova Guerra Fria, agora entre EUA e China.

Na Ásia, as bolsas fecharam com perdas acima de 1,5%, com destaque para Hong Kong, Shenzhen (na China) e Taipé com perdas acima de 2%. Em Tóquio, a mais importante bolsa asiática e a terceira maior do mundo, o índice Nikkei 225 recuou 1,9%. Na praça de Xangai, a segunda mais importante da região, o índice bolsista perdeu 1,7%.

Terça-feira cinzenta em Wall Street

A pior sessão desta primeira semana de dezembro ocorreu na terça-feira, dia 4, com o índice MSCI mundial a perder 2,2% e a praça de Nova Iorque a cair 3,2%. A zona euro perdeu, nesse dia, 0,8% e a Ásia caiu 0,9%.

Wall Street foi o mercado de ações mais castigado na terça-feira. O índice Dow Jones 30 registou uma queda diária de 799,36 pontos, a quarta maior da sua história. Os três maiores trambolhões diários da história daquele índice ocorreram este ano nas semanas negras de fevereiro (5 e 8 desse mês) e de outubro (10 desse mês).

O indicador de pânico financeiro, tecnicamente conhecido pela designação VIX, subiu, na terça-feira, 26,16%, a sexta maior subida diária de 2018. Fechou em 20,7, o que fica ainda muito distante dos máximos acima de 50 registados durante a sessão de 6 de fevereiro. O VIX disparou 115,6% a 5 de fevereiro e 43,95% a 10 de outubro.