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OPEP acerta corte na produção de petróleo

reuters

A Arábia Saudita propõe uma redução acentuada da produção para impulsionar o preço, apesar dos reiterados apelos de Trump para "um petróleo mais barato"

As pressões sauditas para cortar a produção deverão levar a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) a acertar esta quinta-feira em Viena uma estratégia conjunta para impulsionar o preço do petróleo.

O preço caiu 30% nos últimos dois meses, pressionando os orçamentos dos países dependentes do petróleo. O barril de Brent negoceia esta quinta-feira a 60,55 dólares (-1,6%).

O plano dos 15 países da OPEP colide com a desejo de Donald Trump que não se cansa de pedir "um petróleo mais barato".

A decisão final pode, por isso, incomodar Trump, que usou novamente a conta no Twitter como arma contra a intenção da Arábia Saudita. "Espero que a OPEP mantenha os fluxos de petróleo e não os restrinja. O mundo não quer ver preços mais altos!", escreveu.

Redução acentuada

O cartel do petróleo reúne-se hoje na sua sede em Viena com uma questão crucial sobre a mesa: a proposta da Arábia Saudita, líder indiscutível do clube, para cortar a oferta para levantar preços, em queda desde outubro. A organização manterá amanhã contactos com outros produtores aliados, como a Rússia, que não fazem parte do cartel.

Os mercados esperam que a aliança chegue a acordo sobre os níveis de produção para os próximos seis meses e anuncie uma "redução acentuada" da produção a partir de janeiro.

"Todos nós, incluindo a Rússia, concordamos que algum tipo de redução é necessária", disse o ministro do petróleo de Omã, Mohamed Bin Hamad al Rumhy, citado pela agência Reuters.

Rússia distancia-se

Mas, a Rússia pode optar por uma posição mais moderada. O ministro russo da Energia, Alexander Novak, reconheceu esta quinta-feira que seria "muito mais difícil" para Moscovo reduzir a produção durante o inverno por causa das das condições climatéricas nos campos de petróleo do país.

Moscovo prefere dinheiro mesmo a um preço menor, preferindo uma redução minimalista.

Tudo somado, os analistas admitem que a OPEP e os seus aliados concordem com um corte de oferta entre 1,2 milhões e 1,4 milhões de barris por dia. No pico, a produção diária ronda os 100 milhões de barris - a OPEP representa cerca de um terço deste valor.

Esta reunião de Viena é a primeira depois do Catar ter anunciado a saída do clube a que pertencia há mais de 50 anos.

O movimento do Qatar não terá grande efeito no mercado, por se tratar de operador de pequena dimensão. Mas é um sintoma da crescente perda de influência da OPEP contra o crescente peso de dois grandes atores: Arábia Saudita e Rússia.