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Autoeuropa. Solidariedade de estivadores alemães afeta carregamento de peças

RUI MINDERICO/LUSA

Falta de peças leva a mais paragens na fábrica de Palmela. Ministra do Mar avisa que o porto de Setúbal pode tornar-se inviável

Nova adversidade para a Autoeropa, de Palmela. A solidariedade dos estivadores alemães impede que sejam carregadas peças, afetando a produção da unidade. Entretanto, a ministra do Mar, Ana Paulo Vitorino, avisa que a turbulência laboral pode tornar inviável o porto de Setúbal.

Segundo noticia esta quinta-feira o jornal i, os estivadores na Alemanha estão solidários com os trabalhadores de Setúbal, não carregando material para a fábrica de Palmela. Além disso, estão a dificultar o escoamento dos veículos exportador pela unidade.

Paragens na fábrica

Esta tomada de posição levantará novos problemas à Autoeuropa. A falta de motores já obrigou a fábrica a abrandar e a reduzir a sua laboração, eliminando turnos ao fim de semana (dias 9 e 22 de dezembro) seguindo-se a uma paragem geral de 23 de dezembro até 3 de janeiro. Os motores, importados da Polónia e Alemanha, não estão a chegar a Palmela.

A Federação Internacional dos Trabalhadores de Transporte apelou aos estivadores para se mobilizarem em favor da luta dos colegas de Setúbal contra a precariedade. Segundo o jornal i foi essa posição solidária que atrasou o desembarque no porto de Emden dos 2000 automóveis transportados pelo "navio fantasma".

A nova paragem na Autoeuropa segue-se à de 22 de novembro também devido à falta de peças, que ficaram bloqueadas em França, devido aos protestos dos "coletes amarelos". A opção de férias coletivas deve ser aplicada aos dias 24 e 31 de dezembro, mas também a 2 e 3 de janeiro.

Estes contratempos surgem num momento em que a produção da Autoeuropa está em máximos, com uma meta de 250 mil unidades até ao fim de 2018.

Ministra dramatiza

Entretanto, em entrevista ao jornal “Público” e à “Rádio Renascença” a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, dramatiza a situação no porto de Setúbal, face ao arrastar da greve dos estivadores.

"Se continuarmos assim, o porto de Setúbal deixará de ser viável", diz Ana Paulo Vitorino. A ministra avisa que podem estar em causa os postos de trabalho diretos e indiretos ligados ao porto. No final desta semana, as rotas que costumam utilizar Setúbal terão uma redução de 70%.

Ainda assim, a ministra do Mar confia num desfecho favorável das negociações que está a mediar entre estivadores e administração portuária em Setúbal. As negociações serão retomadas para a semana.

Na entrevista, a ministra reage às críticas dos parceiros da coligação que suporta o Governo que pediram a sua demissão. "Há uns que tentam resolver o conflito defendendo os trabalhadores e os postos de trabalho e há os outros que se põem numa situação de sistematicamente pedir a demissão dos ministros", responde Ana Paulo Vitorino.