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Portugal adia pagamento de €1906 milhões de dívida pública para 2023 e 2027

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública colocou esta quarta-feira 1906 milhões de euros em obrigações a vencer em 2023 e 2027, recomprando títulos, no mesmo valor, que tinham de ser pagos já em 2020 e 2021. Essa troca, no entanto, implicou pagar taxas superiores

O Estado trocou esta quarta-feira €1906 milhões em Obrigações do Tesouro (OT) que tinham de ser pagas já em 2020 e 2021 por uma emissão de títulos cuja maturidade é mais distante, vencendo em 2023 e 2027. O objetivo é adiar para daqui a cinco a nove anos o que teria de ser pago num horizonte mais próximo, de dois a três anos. Portugal procedeu a uma operação de alongamento da dívida, estendendo o prazo de amortização.

Esta troca junto dos mesmos investidores, realizada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), implicou, no entanto, um custo mais elevado. Os montantes trocados foram de 1036 milhões de euros que venciam em 15 de junho de 2020 por 1565 milhões com maturidade em 25 de outubro de 2023 e de 870 milhões que venciam em 15 de abril de 2021 por 341 milhões a pagar em 14 de abril de 2027.

“O IGCP recomprou €1906 milhões em títulos que expiravam em 2020 e 2021, a preços que implicavam rendimentos negativos de 0,25% e 0,13% respetivamente. Mas, simultaneamente e no mesmo montante, o IGCP aumentou o volume de dívida emitida para as maturidades de 2023 e 2027 a preços que implicam um custo anual de 0,55% e 1,62% respetivamente. Desta forma, o custo da dívida relativamente ao montante em causa aumentou, mas por outro lado diminui a pressão de pagamentos relacionados com reembolso de dívida para os próximos três anos”, sublinha Ricardo Marques, analista da consultora Informação de Mercados Financeiros.

A procura não foi muito elevada, mas não podemos fazer comparações com as emissões normais de dívida, porque estas operações são reservadas aos investidores que detinham os títulos agora trocados. Ainda assim houve investidores interessados em trocar dívida que ia ser paga em 2020 e 2021, mas que tinha taxas negativas, por dívida que só será paga em 2023 e 2027, mas com um juro positivo. Do ponto de vista do Estado, a operação também foi positiva porque estende por uns anos o prazo do reembolso da dívida”, refere, por seu lado, Filipe Silva, Diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa.