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Ministro Vieira da Silva ao lado do candidato Tomás Correia? “Foi precipitação”

Em pleno período eleitoral na Associação do Montepio, o ministro Vieira da Silva apareceu como orador na apresentação de um livro sobre banca solidária ao lado do candidato Tomás Correia, atual presidente da associação. Ministério garante que o governante não vai. A organização da conferência diz ter-se tratado de uma “precipitação”

O lançamento do livro - Banca Solidária: por um banco português e da economia social - está agendado para dia 13 de dezembro, no El Corte Inglês. O evento noticiado na página do Centro de Estudos de Economia Pública e Social (CEEPS Portugal) faz alusão aos autores do mesmo e junta como oradores nesta apresentação, Jorge de Sá, Vítor Melícias e Tomás Correia, todos candidatos aos órgãos sociais para o próximo mandato pela mesma lista para a Associação do Montepio. E soma-lhes Vieira da Silva, o ministro do Trabalho e da Segurança Social, que tutela a área.

Até aqui tudo estaria normal, não fosse a apresentação do livro ter lugar numa altura de disputa eleitoral para a Associação do Montepio. As eleições têm lugar dia 7 de dezembro, a conferência está marcada para poucos dias depois, dia 13 dezembro, e a associação de Vieira da Silva circula esta semana, a poucos dias do fim da votação.

Como surge o ministro associado a este evento? Os textos do livro, segundo a ficha técnica do mesmo, são da autoria de Alain Arnaud, Léopold Beaulieu, especialista e representantes de instituições da economia social, e também de Tomás Correia e José António Vieira da Silva e "resultam das suas intervenções na conferência organizada pelo CEEPS (CIRIEC Portugal) no ISCTE a 26 de fevereiro de 2018 com o título “Um banco da Economia Social em Portugal: porquê e para quê?"

O livro é editado pelo Centro de Investigação em Economia Pública e Social (CEEPS – CIRIEC Portugal) e os textos dizem respeitoás intervenções orais que foram gravadas e posteriormente escritas, refere a mesma nota.

Contactado pelo Expresso, o Ministério do Trabalho garante que "o ministro não estará presente" e que a a sua contribuição no livro "se resume à transcrição de uma intervenção pública que fez em fevereiro de 2018 numa conferência organizada pelo CEEPS (CIRIEC Portugal)". Mas, apesar da insistência do Expresso, não esclareceu se o ministro chegou a dar o seu assentimento à sua participação na iniciativa e depois recuou ou se o seu nome foi abusivamente usado pela organização. Sublinhou, contudo, mais uma vez que "as participações do Ministro em qualquer evento ou iniciativa só é oficializado pelo Gabinete de Imprensa no dia antes".

Jorge Sá, presidente do CEEPS, contactado pelo Expresso afirma que "não estão ainda confirmadas as presenças dos oradores". Quando questionado sobre o porquê de o evento estar anunciado no site do CIRIEC Brasil e no site do CIRIEC Portugal, afirma que "o lançamento está agendado mas houve uma precipitação do CIRIEC na divulgação do programa". Adiantando que tal deve ter ocorrido porque pediu ao CIRIEC Brasil para que fizesse os convites para a apresentação.

Já quanto ao facto de esta divulgação ter surgido ainda durante o período em que estão a decorrer as eleições para a Associação do Montepio e juntar o ministro e três elementos, incluindo o próprio a concorrer na candidatura encabeçada por Tomás Correia, Jorge Sá afirma que "não foi ninguém convidado" e que este livro "nada tem a ver com o Montepio, muito menos com as eleições". Tudo uma grande "precipitação", portanto.

Luís Barra

Nas eleições à corrida para os órgãos sociais da Associação do Montepio cujo processo termina esta sexta-feira, dia 7, estão três listas, uma liderada pelo atual presidente da associação que concorre a um quarto mandato e duas outras que se posicionam como alternativa a esta: a de Fernando Ribeiro Mendes e António Godinho. Estes dois candidatos defendem que o processo eleitoral devia ser mais transparente porque não existe o acesso aos cadernos eleitorais, entre outros atropelos.

Os candidatos das listas alternativas à de Tomás Correia defendem que o atual presidente não devia candidatar-se para um novo mandato por estar a contas com a justiça e por isso não ter condições para liderar a associação e ter luz verde do novo supervisor, a Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Recorde-se que contra Tomás Correia correm processos de contra-ordenação por parte do Banco de Portugal e investigações de natureza criminal.

Já Tomás Correia, que reune apoios de peso - na comissão de honra constam ex-governantes do PSD e do PS, ex-capitães de Abril e empresários - refuta as posições dos dois candidatos referindo que não está limitado nem inibido de concorrer e que estas matérias não o preocupam.