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Banco de Portugal diz que bancos estão mais fortes mas pede prudência nos dividendos

Luís Barra

No Relatório de Estabilidade Financeira, o supervisor dá nota positiva à banca nacional mas avisa que há desafios pela frente e que é preciso estar atenta a choques externos. E "políticas prudentes" na aplicação dos lucros, nomeadamente na distribuição de dividendos aos acionistas

O Banco de Portugal (BdP) considera que os bancos portugueses estão mais fortes mas pede algumas cautelas porque há desafios pela frente e existem riscos externos. E pede também prudência na distribuição de dividendos. No Relatório de Estabilidade Financeira hoje divulgado, o supervisor refere que os vários indicadores bancários melhoraram nos primeiros seis meses deste ano mas sublinha que os bancos devem estar alerta e preparados para eventuais choques externos relacionados com "o agravamento da incerteza geopolítica e económica" na Europa e no mundo decorrente de factores como a guerra comercial, a normalização da política monetária, o Brexit e Itália.

O BdP avisa ainda que a banca tem vários desafios pela frente "associados ao ambiente de baixas taxas de juro de curto prazo na área do euro e à necessidade de prosseguir com a redução dos ativos não produtivos (em particular de NPL)" e, entre outras coisas, tem igualmente. que "investir em infraestruturas tecnológicas", enfrentar a concorrência das fintechs" e "emitir instrumentos de dívida elegíveis para fundos próprios regulamentares".

É por isso que, para o banco central, os bancos devem ter prudência na utilização dos lucros que gerarem: "Impõe-se a adoção de políticas prudentes de aplicação dos resultados gerados, em particular no que concerne à distribuição de dividendos."

Malparado melhora mas..

Como fatores positivos, o supervisor destaca que "a rentabilidade prosseguiu uma trajetória de recuperação, os empréstimos não produtivos (NPL), continuam a reduzir-se a um ritmo significativo-- 4,6 mil milhões de euros - assim como os rácios de cobertura por imparidades continuam a aumentar" . Em junho de 2018, face ao mês homólogo do ano passado, o rácio de NPL reduziu-se em 3,6 pontos percentuais para 11,7% e o rácio de cobertura por imparidades aumentou 7,1 pontos percentuais para 52,9%. Ao mesmo tempo, a posição de liquidez do setor manteve- se em níveis confortáveis e o rácio de fundos próprios totais foi reforcado.

O relatório sublinha, no entanto, que apesar das melhorias é preciso estar atento à "manutenção de um baixo crescimento potencial da economia portuguesa", o que atendendo às incertezas relacionadas com a conjuntura internacional "merece especial atenção".

Entre as vulnerabidades e riscos do setor bancário português está ainda a elevada concentração em determinados ativos, como títulos de dívida pública, sobretudo doméstica, e também uma forte exposição a ativos imobiliários. No rol das preocupações do supervisor está também o nível reduzido das taxas de juro. Esta situação tem direcionado os aforradores a procurar aplicações com maior risco, em detrimento dos depósitos a prazo, cujas taxas são muito baixas.

Aperto no crédito

Sobre as restrições a que os bancos passaram a estar sujeitos na concessão de crédito a particulares (habitação e consumo), o BdP diz que as instituições estão a cumprir. O supervisor monitorizou 90%dos créditos concedidos e não tem, para já, evidência de situações de incumprimento. Estão em causa regras relativos à taxa de esforço em função do rendimento disponível das famílias, aos prazos dos empréstimos, ao montante dos créditos face às garantias e ao nível de endividamento. É uma área a que o supervisor vai continuar atento para evitar novos problemas de crédito malparado mas também porque prevê-se uma subida gradual das taxas de referência para estes contratos a médio e longo prazo que implicará um esforço adicional dos devedores.