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França está na rua por causa de 64% de impostos na gasolina. E nós quanto pagamos?

Marcos Borga

Em França os protestos contra os preços dos combustíveis provocaram centenas de detenções. Um cenário radicalmente diferente da realidade portuguesa, onde a carga fiscal da gasolina é praticamente a mesma que existe no mercado francês

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O governo francês aceitou esta terça-feira recuar na decisão de aumentar a tributação dos produtos petrolíferos, depois dos protestos que juntaram dezenas de milhares de pessoas e levaram à detenção de mais de 400 manifestantes. Uma escalada de violência num país onde os impostos representam 64% do preço da gasolina. E em Portugal?

Em Portugal, mostram os dados da Comissão Europeia relativos a 26 de novembro, a tributação da gasolina representa 63% do seu preço de venda ao público. Um nível de impostos apenas superado pelos 64% de França, Suécia, Finlândia e Itália, pelos 65% da Grécia e pelos 68% da Dinamarca.

No gasóleo, França apresenta um peso dos impostos no preço final de 59%, o mais elevado da Europa, juntamente com o Reino Unido. Já Portugal surge no mapa da Comissão Europeia com uma carga fiscal no gasóleo de 53%.

Os dados da Apetro - Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas mostram ainda que em Portugal por cada litro de gasolina, ao preço de 1,481 euros, o consumidor paga 65,9 cêntimos de ISP, 27,7 cêntimos de IVA, 36,6 cêntimos de gasolina, 2,9 cêntimos de biocombustível e 14,9 cêntimos de custos com armazenagem, distribuição e comercialização.

Com o gasóleo a custar 1,364 euros por litro, explica ainda a Apetro, o consumidor paga 47,1 cêntimos de ISP, 25,5 cêntimos de IVA, 45,5 cêntimos de combustível, 2,5 cêntimos de incorporação de biocombustível e 15,7 cêntimos de custos logísticos.

Preços mais altos, procura menor

O presidente executivo da BP Portugal, Pedro Oliveira, admite que por vezes há uma reação da procura ao aumento da carga fiscal sobre os combustíveis, mas nota que "é difícil estabelecer uma correlação direta entre uma coisa e outra, porque muitas vezes a cotação da matéria-prima anda em contraciclo com os impostos".

Assim, se num período de aumento do ISP a cotação da gasolina e do gasóleo cair, o preço final poderá ficar praticamente inalterado, não suscitando alterações do perfil de consumo.

Mas Pedro Oliveira não tem dúvidas. "Sempre que o preço de venda ao público dos combustíveis sobe há uma erosão da procura", afirma ao Expresso.

O presidente da BP Portugal admite ainda que no próximo ano "se o custo da matéria-prima se mantiver dentro do intervalo em que tem andado o consumo de combustíveis em Portugal vai ter uma correlação direta com a performance da economia portuguesa". E crescendo a economia, crescerá o consumo de gasolina e gasóleo.

Segundo o gestor nos últimos anos a taxa de crescimento do mercado de combustíveis tem rondado metade da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

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