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10 Dicas para a sua empresa “entrar” na China

A mudança em curso no modelo de desenvolvimento da segunda maior economia do mundo abre oportunidades para a exportação e o investimento portugueses. Mas exige o conhecimento de algumas regras de ouro, segundo Peter Williamson, professor de gestão internacional em Cambridge, que esteve em Portugal antes da visita esta semana do presidente chinês

A China está a atravessar uma mudança radical do seu modelo de desenvolvimento económico que se vai prolongar pelo menos até 2030, quando Pequim pretende chegar a primeira economia do mundo.

A viragem interna abre duas grandes oportunidades para os exportadores e investidores estrangeiros – a criação de um mercado gigantesco de muitas centenas de milhões com poder de compra e gostos de classe média em 2025 e a necessidade vital de parceiros estratégicos para a inovação por parte do enorme exército de start-ups chinesas.

A balança comercial portuguesa com a China tem sido largamente deficitária e o investimento direto português naquela economia oriental é um sexto do investimento chinês em Portugal. A taxa de cobertura das transações comerciais com a China em produtos caiu de 41% em 2017 para 29,5% nos primeiros três trimestres de 2018. Ou seja, atualmente, o que exportamos para a China cobre menos de um terço do que importamos de lá. A quota das exportações de bens e serviços para a China no total das exportações portuguesas reduziu-se de 1,3% em 2013 para 1,25% em 2017. A China é hoje o sexto fornecedor português, mas é o 13º cliente da exportação portuguesa.

Os exportadores e investidores portugueses para ‘entrarem’ na China têm de dominar algumas regras de ouro, segundo Peter Williamson, professor de gestão internacional no Jesus College, em Cambridge, no Reino Unido, que o Expresso entrevistou aquando da sua deslocação à Universidade Católica do Porto para proferir uma conferência sobre estratégias de abordagem do mercado e do investimento chineses.

As regras de ouro de Peter Williamson para ‘entrar’ na China são dez:

1. A mãe de todas as regras é esta: é um processo que leva tempo, exige persistência, é um jogo de longo prazo;

2. Não olhe para a China globalmente (que tem uma dimensão gigantesca), olhe para mercado locais;

3. Proteja a sua propriedade intelectual, e um dos passos é criar uma equipa chinesa que seja leal;

4. Siga a máxima chinesa de avançar pedra a pedra. Avance optando, sempre, por uma série de pequenos riscos;

5. Complemente os pontos fracos chineses. Eles não têm know how em muitas áreas soft;

6. Recorde-se que tem uma vantagem especial, simbólica, em relação a muitos outros estrangeiros. Os chineses têm uma memória histórica muito longa. Portugal tem um relacionamento desde 1513 com a China;

7. Tenha em conta que há um ponto comum. Apesar das diferenças culturais, nomeadamente, de atitudes muito diferentes face à incerteza (de que os portugueses não gostam) e à orientação para o longo prazo (que os portugueses tendem a colocar em segundo plano), os dois povos partilham o pragmatismo e a flexibilidade;

8. Olhe sempre globalmente. Numa aliança com uma empresa chinesa, ou mesmo se optar por uma aquisição, não olhe só para o mercado interno chinês, avalie a possibilidade de alavancar as capacidades e pontos fortes das empresas chinesas com o olho no mercado global;

9. A criação de um mercado dominado por uma classe média de muitas centenas de milhões de chineses (que poderá chegar em 2025 a 900 milhões, mais de duas vezes e meia toda a população norte-americana naquele data) abre grandes oportunidades para massificar produtos de nicho ou típicos;

10. A China já tem a maior percentagem de start-ups à escala mundial com uma valorização acima de mil milhões de euros, um exército virado para a inovação e ávido de parcerias estratégicas.