Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Há mais um corredor verde no Tejo

Este será o futuro Trilho das Comportas, um dos seis a criar

IMAGENS 3D TOPIARIS

Novo corredor verde tem, defronte, uma ilha e fica a cerca de 15 minutos de Lisboa. Vila Franca de Xira está a seguir o exemplo do Parque das Nações

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX) quer estender o Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo, localizado na Póvoa de Santa Iria e inaugurado em 2013, em mais sete quilómetros, até Alverca e Sobralinho. Um obra que representa um investimento de mais de €7 milhões e que, para Alberto Mesquita, presidente da autarquia, terá impacto na atração de pessoas e na qualidade de vida da população do concelho.

“Depois de termos já feito a requalificação de 12 quilómetros de frente ribeirinha, temos a ambição de interligar toda a nossa frente de rio, que tem 22 quilómetros”, explica Alberto Mesquita. Esse sonho está mais perto, já que na extensão do parque linear agora em projeto serão reabilitados mais sete quilómetros. Para o presidente da CMVFX, esta é uma obra de grande fôlego e que provavelmente não estará terminada no atual mandato.

Situada à beira do rio Tejo, esta é uma área natural sensível sobre a qual várias entidades são chamadas a dar o parecer, como por exemplo a Agência Portuguesa do Ambiente, antes de qualquer intervenção. O autarca espera que o projeto de execução possa ser lançado no próximo ano e que em 2020 arranque a obra, que durará mais de um ano. Não deixa de salientar que sem o apoio da Força Aérea, que tem aqui uma zona militar, e da OGMA — Indústria Aeronáutica de Portugal não seria possível desenvolver esta ideia para a população de todo o concelho e também para a Grande Lisboa, já que o parque fica a escassos quilómetros de distância da capital, seja de carro ou de comboio.

Nesta imagem dá-se uma ideia do que vai passar a ser a Praia dos Tesos

Nesta imagem dá-se uma ideia do que vai passar a ser a Praia dos Tesos

IMAGENS 3D TOPIARIS

Quanto ao financiamento, há ainda a hipótese de vir a concorrer a fundos comunitários, mas, se tal não for possível, Alberto Mesquita afirma que a autarquia está em condições, se necessário for, de contrair um empréstimo para concretizar a obra.

Sete quilómetros de trilho

O Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo (a parte já existente), inaugurado há cinco anos, tem sido premiado internacionalmente e foi concebido pelo ateliê de arquitetura paisagista Topiaris — que também será responsável pela sua expansão. Luís Paulo Ribeiro e Teresa Barão, sócios do ateliê, explicam que será um “corredor verde”. A área de intervenção abarca 38 hectares e sete quilómetros de trilhos à beira-rio, com duas áreas singulares, os Passadiços dos Salgados e a Praia dos Tesos.

Colinas, sapais, atividade agrícola, militar e naval marcam a paisagem, que os arquitetos acabam por integrar no desenho urbano. Os sete quilómetros de trilhos, todos inclusivos, correspondem a seis caminhos diferentes, interligados. A título de exemplo, o Trilho das Comportas, com mais de três quilómetros, fica paralelo à pista de aviação e, por isso, haverá uma vedação a separá-los. Deve a sua designação ao facto de o combro — sobre o qual está implantado — integrar sete comportas/válvulas que controlam a entrada e a saída da água nos terrenos mais baixos do aeródromo em função do regime das marés. O trilho terá um pavimento em saibro limitado com madeira, com plataformas para descanso e observação da paisagem, e as pontes e comportas existentes serão reabilitadas.

Há ainda um moinho de maré que vai ser recuperado, para preservar a memória. “O objetivo é aproveitar tudo o que é possível, não ignorar a paisagem, mas sim assumi-la”, salienta Luís Paulo Ribeiro.

Zonas de lazer

Teresa Barão conta que “o tipo de recreio mudou, e as pessoas querem várias atividades num parque urbano”. Nos Passadiços dos Salgados, com vegetação natural do Tejo, vão ser criadas estruturas sobrelevadas em madeira que permitam a observação da fauna e da flora. A Praia dos Tesos será dedicada ao lazer. Terá parque de merendas, 153 lugares de estacionamento, campos para desporto como voleibol e râguebi de praia, restauração, esplanada, instalações sanitárias, bar, parque canino e ginásio ao ar livre. “Tomava-se aqui banho e no futuro poderá vir a ser novamente possível. Vamos criar uma zona onde se possa apanhar sol, com duches”, revela Teresa Barão.

Comunhão com a natureza Na infografia em cima percebe-se com exatidão a parte do Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo que está edificada na Póvoa de Santa Iria e a extensão que vai ser criada, que abarca Alverca do Ribatejo e o Sobralinho

Comunhão com a natureza Na infografia em cima percebe-se com exatidão a parte do Parque Linear Ribeirinho do Estuário do Tejo que está edificada na Póvoa de Santa Iria e a extensão que vai ser criada, que abarca Alverca do Ribatejo e o Sobralinho

Serão também criados trilhos de ligação das zonas urbanas ao parque, com passagens sobre a linha férrea, em obras separadas desta. Alberto Mesquita conta que cada uma custará entre €1 a €2 milhões. Até agora, tanto a autarquia como os arquitetos têm tido reuniões com as entidades responsáveis por aprovar o projeto, e é possível que ele venha a sofrer alguns ajustes. Para a Topiaris, parques como este têm um impacto na região onde se inserem, seja na qualidade de vida das populações, seja na atração de visitantes.


Impacto no imobiliário

O autarca de Vila Franca de Xira diz que “o que já fizemos tem tido impacto na atração de pessoas”. Amílcar Silva é consultor da empresa de mediação imobiliária Remax Vantagem VIII, sedeada na Póvoa de Santa Iria, e conta que, dado o acesso rápido à capital, há lisboetas a mudarem-se para aqui. “Os preços têm vindo a subir nos últimos três anos, uma média de 15%. Um apartamento T2 pode custar entre €100 mil a €300 mil”, revela.

Existe mais procura do que oferta e começa a surgir construção nova. Amílcar Silva defende que obras como esta valorizam o imobiliário, pois quem compra uma casa analisa a envolvente, e essa valorização será maior quando também Loures reabilitar a sua frente de rio, fazendo um contínuo entre os três concelhos: Lisboa, Loures e Vila Franca de Xira.

Nuno Ferreira, gerente da Era Alverca, partilha desta ideia e acredita que acrescenta qualidade de vida. Em Alverca, os preços também têm vindo a crescer, entre 10% a 15% nos últimos três anos, e o preço por metro quadrado de um T2 pode variar entre €1000 a €2500. Para já, “há procura de locais e de lisboetas por esta cidade. Sentem-se atraídos pela proximidade e pelas boas acessibilidades à capital”, finaliza.