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Apenas 1.300 empresas são responsáveis por 42% da faturação em Portugal

RUI DUARTE SILVA

O tecido empresarial em Portugal é feito de microempresas, mas são os poucos grandes negócios que alavancam a economia

As grandes companhias em Portugal só representam 0,3% do tecido empresarial (são 1.290, ao todo), mas geram 41,8% do volume de negócios agregado. Já as microempresas são 89%, mas respondem apenas por 16% da faturação global, enquanto as pequenas e médias empresas são 11% e geram 42,5% do volume de negócios.

Em 2017, Portugal tinha 430 mil empresas não financeiras em atividade, mais 1,7% do que em 2016, com as microempresas a representar 89% do tecido empresarial total, mas que apenas geram 16% do volume de negócios agregado, revela a ‘Análise Sectorial das Sociedades Não Financeiras em Portugal – 2017’ do Banco de Portugal (BdP).

Destaque para os sectores da eletricidade e água e da indústria que representam cerca de um terço da atividade económica. São duas atividades em que as grandes empresas respondem pelas parcelas mais relevantes dos respetivos volumes de negócios (81% e 51%, respetivamente).

Três em cada quatro empresas são do sector dos serviços: com o comércio a concentrar 25% das empresas, enquanto 50% pertencem ao conjunto dos outros serviços. O comércio agrega 37% do volume de negócios, seguindo-se a indústria (26%) e os outros serviços (24%).

O relatório do BdP dá conta também que “mais de metade do volume de negócios gerado pelas empresas não financeiras em 2017 teve origem em empresas em atividade há mais de 20 anos (56%), proporção que também tem aumentado sucessivamente desde 2011”.

Todas faturam mais e sobem EBITDA em 15%

O volume de negócios das empresas cresceu 9%, no ano passado, em relação a 2016 e “este aumento foi transversal a todas as classes de dimensão e sectores de atividade económica”.

De acordo com a análise do BdP, “a evolução do volume de negócios das empresas resultou dos contributos positivos do mercado interno e do mercado externo (6,8 pontos percentuais e 2,3 pontos percentuais, respetivamente)”. Por sua vez, “o peso das exportações no total do volume de negócios aumentou para 22% em 2017 (21% em 2016). O peso das importações no total da aquisição de bens e serviços manteve-se em 27%”.

O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) das empresas aumentou 15% em 2017, relativamente a 2016, “variação que contribuiu para o aumento de 2 pontos percentuais da rendibilidade dos capitais próprios (para 9%)”.

Porém, ressalva o BdP, apesar de o EBITDA ter aumentado em termos agregados, menos de metade das empresas apresentou uma taxa de variação positiva deste indicador face ao ano anterior (43%). Aliás, “a parcela de empresas nesta situação foi crescente com a classe de dimensão das empresas: 42% nas microempresas, 56% nas pequenas e médias empresas e 58% nas grandes empresas”. Atendendo ao sector de atividade económica, “a proporção de empresas com variação positiva do EBITDA face ao ano anterior oscilou entre 42% na agricultura e pescas e 45% na eletricidade e água e na indústria”.

Empresas estão a Norte e na indústria

Cerca de 86% das empresas tem sede na região Norte (34%), na área metropolitana de Lisboa (32%) ou na região Centro (20%). Sem surpresas, a região Norte assume maior relevância na indústria (51% das empresas com sede nesta região), na construção (36%) e no comércio (36%).

Já a área metropolitana de Lisboa é a região onde predominam “os outros serviços (40% das empresas desse sector)”, enquanto o Alentejo agrega o maior número de empresas da agricultura e pescas (31%).

No que se refere às vendas para o estrangeiro, apenas 6% exportam, mas são responsáveis por 35% do volume de negócios das empresas em atividade em 2017. Mais uma vez, sem surpresas, a exportação está sobretudo associada à indústria, onde 15% das empresas integram o sector exportador. Além disso, estas empresas forma responsáveis por 73% do volume de negócios gerado por esta atividade.

“Nos outros serviços, na agricultura e pescas e na construção, a parcela de empresas ligada ao sector exportador não representava mais de 5% das empresas. No sector do comércio, 6% das empresas integravam o sector exportador”, especifica o BdP.

Eletricidade, água e construção com menor autonomia financeira

A autonomia financeira das empresas foi de 33% em 2017, mais 1 ponto percentual do que em 2016. Em 2017, 26% das empresas apresentavam capitais próprios negativos.

No que se refere à dimensão das empresas, 35% do ativo das pequenas e médias empresas é financiado por capitais próprios, valor que compara com 32% nas microempresas e nas grandes empresas.

Por sectores de atividade, “a agricultura e pescas e a indústria eram os sectores com maior autonomia financeira (41%, em ambos os casos), seguindo-se o comércio (36%). A eletricidade e água e a construção apresentavam os valores de autonomia financeira mais baixos (27% e 28%, respetivamente)”.

O BdP revela ainda que “a elevada dependência de capital alheio era particularmente crítica para 26% das empresas, as quais apresentavam capitais próprios negativos em 2017. Esta proporção diminuiu 0,4 pontos percentuais face a 2016”.

A dívida remunerada e as dívidas a fornecedores (ou créditos comerciais) continuaram a ser as principais fontes de financiamento alheio, representando em conjunto 70% do passivo das empresas em 2017: 54 pontos percentuais associados a dívida remunerada e 16 pontos percentuais a créditos comerciais.

62% das empresas não têm dívida bancária

Para financiar o investimento ou a sua atividade, as empresas recorrem a vários instrumentos. “Podem recorrer a capitais próprios (associados ao investimento que os seus acionistas ou sócios fazem na sua atividade, quer através da entrada de capital, quer através da acumulação de resultados) ou a capitais alheios (obtidos junto de outros agentes económicos sob a forma de dívida remunerada, dívida comercial ou outros passivos)”, refere o BdP.

“Os empréstimos bancários constituem uma das formas mais relevantes de financiamento das empresas portuguesas. Em 2017, 15% do ativo das empresas portuguesas era financiado por empréstimos bancários”, menciona o relatório.

No entanto, uma parcela relevante de empresas em atividade não recorre a esta forma de financiamento. “Em 2017, estavam nesta situação 62% das empresas em atividade. Estas empresas representavam 28% do número de pessoas ao serviço, 27% do total do ativo e 25% do volume de negócios associado ao total de empresas em Portugal.

Uma das explicações para esta realidade, refere o BdP, está relacionada com a “pouca maturidade das empresas”, o que torna o “sector financeiro menos recetivo a conceder crédito, particularmente a empresas sobre as quais dispõe de menos informação”. Em 2017, 43% das empresas sem endividamento bancário tinham até 5 anos de atividade.

A estrutura do financiamento destas empresas apresenta, assim, uma composição distinta. Caracteriza-se por um maior peso dos capitais próprios, dos outros passivos e dos financiamentos de empresas do grupo, “ao passo que a relevância dos títulos de dívida era menor”.

O BdP revela ainda que, “de acordo com a informação da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, o montante de empréstimos concedidos pelas instituições de crédito residentes às empresas não financeiras praticamente não se alterou desde o final de 2017, depois de ter diminuído nos anos anteriores”. O montante de crédito vencido, que tinha aumentado até 2015, continuou a diminuir: o stock de crédito vencido registado no final de junho de 2018 correspondia a 77% do crédito vencido registado no final de 2016.