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"A precariedade no Porto de Setúbal podia ter acabado hoje", diz o Governo

TIAGO PETINGA/lusa

Governo aponta o dedo aos representantes dos trabalhadores pelo falhanço das negociações: "Não havia razão nenhuma para que os trabalhadores não tivessem a sua situação regularizada já hoje e pudessem passar um natal mais descansado"

"A precariedade no porto de Setúbal podia ter acabado hoje. Essa era a vontade explícita deste governo e de todas as partes sentadas à mesa das negociações", é assim que o Ministério do Mar resume, em comunicado, o final do terceiro dia de negociações à volta do conflito laboral em Setúbal.

E o ministério liderado por Ana Paula Vitorino atribui diretamente culpas ao lado sindical, pelo facto de não se ter chegado a acordo. " Não havia razão nenhuma para que os trabalhadores não tivessem a sua situação regularizada já hoje e pudessem passar um natal mais descansado. Mas isso não foi possível. E não foi possível porque os seus representantes em vez de discutirem a situação dos seus trabalhadores de setúbal preferiram discutir a situação nos portos de Leixões e Sines. Em vez de resolverem o conflito de setúbal insistem em criar conflitos em portos onde não existem conflitos e onde não têm uma representação significativa", afirma.

No resumo dos três dias de trabalhos, o ministério refere que todas as partes concordaram em alterar o regime laboral no porto de setúbal acabando com a precariedade, assim como concordaram em fixar quadros permanentes e aceitaram as principais condições contratuais e concordaram em aceitaram a intervenção da Administração Portuária e do IMT. "Conseguimos mesmo garantir que os operadores, publicamente, revissem as suas condições aumentando as vagas inicialmente oferecidas", diz este comunicado.

Depois do que aconteceu, a decisão do governo é manter distanciamento. "Não pode, nem vai tomar parte numa guerra entre sindicatos. E lamentamos que os trabalhadores de Setúbal estejam a ser utilizados pelos seus representantes como moeda de troca para uma luta de poder sindical", justifica.

No comunicado ainda há "uma palavra de conforto, evidentemente dirigida aos trabalhadores do porto de Setúbal e às suas famílias que neste momento se preparam para um natal de incerteza e de dificuldades".

Há, também, "um apelo aos agentes económicos do Porto de Setúbal, nomeadamente os seus clientes e as empresas exportadoras". Sabemos que o porto atravessa uma crise gravíssima, mas peço-lhes que mantenham a sua aposta em Setúbal e na região até que o bom senso prevaleça. O governo tudo fará para mitigar e minimizar os danos que esta situação está a provoca", garante o texto.

A Autoeuropa, o maior exportador nacional, tem milhares de carros em terra à espera de seguirem para os países de destino por causa do conflito em Setúbal, tendo começado a usar rotas alternativas, mais mais lentas e caras, através dos portos espanhois de Vigo e Santander e de Leixões.

Em Leixões, depois de mais de 24 horas de atraso, os primeiros carros da fábrica de Palmela começaram ontem a ser embarcados num navio que veio de Santander e segue para Emden. Até ao fim da manhã, no entanto, tinham entrado no navio apenas 220 automóveis, garante fonte dos estivadores de Leixões ao Expresso.

Ontem, o SEAL, o sindicato que representa os estivadores neste conflito e decretou uma greve às horas extraordinárias, tinha admitido ao Expresso que o acordo em Setúbal poderia estar próximo, mas deixou claro que a questão da precariedade no trabalho portuário tinha de ser resolvida a nível nacional.