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Produção de vinho em mínimos do século

A vindima tinha rendido menos vinho, já se sabia. Agora o INE diz que a produção de vinho este ano vai ser a mais baixa das últimas duas décadas. As campanhas da maçã, da pêra, do tomate, do girassol e do azeite também caíram. As causas são várias, da onda de calor de agosto à tempestade Leslie

As causas são várias, da onda de calor de agosto à passagem da tempestade Leslie, mas o cenário das previsões agrícolas do INE - Instituto Nacional de Estatística é claro: aponta para "reduções generalizadas de produção nas fruteiras, vinha e olival".

Na vinha, o INE fala da "mais baixa produção das últimas duas décadas", nos 5,2 milhões de hectolitros, com os prejuízos a afetarem quase todas as regiões vitivinícolas.

"As condições meteorológicas até meados de outubro permitiram que as vindimas, que decorreram com atrasos significativos face ao habitual, se efetuassem sem incidentes e com as uvas a chegarem aos lagares em bom estado sanitário e com teores de açúcar regulares", refere o INE.

O retrato, no entanto, sublinha que depois das primeiras "chuvas signifiativas", a 13 e 14 de outubro, a qualidade baixou, precipitando a conclusão das vindimas.

"Verificou.se que o calor excessivo causou escaldões nos bagos, embora com reflexos distintos em função da casta , da exposição e da idade da vinha. Excetuando o Algarve (aumento superior a 5%, e o Alentejo (produção semelhante a 2017), todas as regiões deverão registar menos produção, prevendo-se uma redução global de 20%, para os 5,2 milhões de hectolítros, a menor das últimas duas décadas", refere a previsão agrícola do INE.

Esta quebra da produção de vinho em Portugal contrasta com a subida registada à escala global: Este ano, a produção vitivinícola mundial atingiu os 282 milhões de hectolitros, um dos valores mais altos do século, anunciou a OIV - Organização Internacional da Vinha e do Vinho, há um mês atrás, deixando já claro que só Portugal e Grécia contrariavam essa tendência na Europa

Olival em perda, castanha a subir

No olival, a estimativa é de uma redução de 15% da produtividade da azeitona para azeite. "resultado de uma grande variabilidade de produção nos olivais tradicionais de sequeiro". No entanto, diz o INE, a produtividade mantém-se acima das 2 toneladas por hectare

Nos pomares, há quebras de 15% nas maçãs e de 20% nas pêras, "resultante da conjugação de fracas polinizações, problemas fitossanitários e da onda de calor de agosto", enquanto a quebra nos kiwis ronda os 5%, com "danos nos pomares devido à passagem da tempestade Leslie".

Nas culturas anuais, o INE refere quebras de 26% na produção de tomate para indústria devido à diminuição de área instalada, e de 10% no girassol.

Quanto aos cereais de primavera/verão associados à tempestade Leslie foram bem visíveis, com consequências na produção global estimada: para o milho, e apesar do aumento da área semeada, os estragos nas searas do Baixo Mondego e Pinhal Litoral diminuíram o rendimento unitário, resultando na manutenção da produção da campanha anterior; no arroz os campos do Baixo Mondego sofreram danos que conduziram a uma diminuição de 5% na produção", referem as previsões agrícolas do INE, hoje divulgadas.

Mesmo assim, há uma pequena margem para boas notícias, com os soutos a apresentarem uma produção de castanha 5% acima da