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Os gestores do futuro

Iniciativa 40 líderes do futuro pretendeantecipar os nomes que irão marcar o mundodos negócios nos próximos anos

Getty Images

Talento: conheça os 40 líderes empresariais, com menos de 40 anos de idade, que vão dar cartas no mundo dos negócios. Passaram por diversos crivos e foram selecionados entre mais de 200 candidatos. O vencedor é anunciado em dezembro

Expectativa. É o sentimento que se cola à 2ª edição do prémio “40 Líderes Empresariais do Futuro” face à publicação da identidade dos talentos da gestão que figuram no ranking. Por um lado, perspetiva-se de que forma estes eleitos irão marcar o panorama dos negócios e, por outro, os próprios nomeados questionam-se sobre o lugar que ocupam na lista. A revelação não é para já. Só a 10 de dezembro é que o top 10 e o grande vencedor serão conhecidos numa cerimónia no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

É Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, quem faz a associação do prémio com o elemento “expectativa”. “Iniciativas como esta apontam para o papel fundamental das lideranças e juntam-lhe o ingrediente da expectativa, pois estamos a falar de pessoas que, num futuro próximo, vão ser responsáveis por toda a dinâmica de criação e distribuição de riqueza, como fonte de inovação, que começa nas empresas e que se alastra a todo o tecido económico e social”, considera.

António Horta Osório, que lidera o Lloyds Banking Group e preside ao júri do prémio, valoriza o facto de ser um prémio que permite “destacar uma nova geração de gestores, em várias áreas, que podem e devem servir de exemplo a futuros gestores e empreendedores. Sendo a gestão uma atividade essencial ao progresso e à criação de riqueza em qualquer país, e tendo uma enorme responsabilidade social e económica – a qualidade da economia depende da qualidade das suas empresas e instituições –, parece-me muito relevante este contributo para destacar os bons exemplos de liderança em Portugal”.

Trata-se, assim, de um exercício de antecipação dos líderes de amanhã, como apontam os sócios da Deloitte Jorge Marrão e Sérgio Monte Lee. “Este prémio, comparativamente a outros, preocupa-se em avaliar e distinguir o potencial de liderança dos candidatos, e não apenas observar e analisar o desempenho passado”, referem os consultores que sublinham, também, o facto de “apesar da maioria dos candidatos inscritos se encontrar em Portugal, este ano atraímos talento português espalhado pela Suíça, Inglaterra, Estados Unidos, entre outros”. A experiência internacional é uma nota distintiva desta geração de gestores: “Dos 40 selecionados, 85% esteve mais de um ano a trabalhar fora de Portugal.”

Espírito empresarial
Não é, portanto, de estranhar que Horta Osório eleja a multiculturalidade como a característica que mais distingue estes novos líderes das gerações anteriores. “A realidade atual possibilita que os jovens viajem mais, conheçam melhor o mundo em que vivem. Além disso, graças à tecnologia, ao acesso generalizado à internet e às redes sociais desde muito cedo, têm uma visão muito mais global e a perceção de que o mercado pode não se restringir ao país em que vivem. E tomam mais riscos, quer a nível pessoal quer profissional, têm mais espírito empresarial”.

Aliás, um em cada três candidatos da edição deste ano é fundador ou CEO de uma startup, “o que confirma o aumento do empreendedorismo”, referem, por sua vez, os sócios da Deloitte. O vencedor da edição passada é disso exemplo: Nuno Sebastião é CEO e cofundador da Feedzai, uma tecnológica que desenvolveu um sistema de monitorização de risco financeiro, combate à fraude e à lavagem de dinheiro com recurso à inteligência artificial. Sobre o sucesso lá fora de empresas nacionais como a Feedzai, Farfetch ou Outsystems, Marrão e Monte Lee, concordam que são casos que “comprovam o facto de estarmos a assistir a uma revolução tecnológica e digital que, por esbater fronteiras físicas, faz dirimir as limitações crónicas de Portugal — a periferia e a dimensão reduzida do nosso país”. Ou seja, “algumas empresas nacionais, por serem 100% digitais e, assim, serem mais ágeis, flexíveis e colaborativas, conseguem estabelecer-se e PRÉMIO afirmar-se no contexto internacional.”

Este prémio destina-se a profissionais até 40 anos de idade e os sócios da Deloitte destacam que se verifica, “cada vez mais a chegada de gestores mais novos a desempenhar cargos de liderança com relevância acrescida” — a idade média dos candidatos foi de 35 anos. Ao todo, houve mais de 220 inscritos nesta edição, dos quais 204 foram considerados elegíveis.

A análise da Informa D&B mostra que 94% dos candidatos trabalham no sector privado, 65% estão em empresas adultas (entre seis e 20 anos) ou maduras (mais de 20 anos) e 39% lideram negócios na área de serviços. As empresas que empregam estes gestores geram um volume de negócios de €10,7 mil milhões e são responsáveis por mais de 39 mil trabalhadores. Outro dado que Teresa Menezes considera relevante são os 15% de gestores que trabalham em companhias que embora portuguesas têm uma “empresa mãe” estrangeira. “O número significativo de gestores portugueses em cargos de liderança em empresas internacionais é uma prova de confiança e de reconhecimento dos profissionais nacionais”, comenta.

Os 40 líderes do futuro é uma iniciativa conjunta do Expresso e do Fórum de Administradores e Gestores de Empresas (FAE), que conta com o apoio da COSEC, Deloitte, PHC, Sonae MC, Mindshift e Informa D&B.

Como se processam as fases de seleção dos melhores candidatos

O regulamento é muito claro quanto ao propósito do prémio: “Selecionar os 40 líderes empresariais do futuro, pela sua contribuição ativa na economia, percurso de carreira e capacidade de fazer a diferença nos diversos sectores de atividade económica”. Podem concorrer profissionais que exerçam cargo de direção ou equivalente ou que sejam empreendedores com responsabilidade na gestão, com menos de 41 anos até 31 de dezembro de 2018 (no caso desta edição), de nacionalidade portuguesa, a trabalhar em Portugal ou no estrangeiro. Os candidatos já distinguidos numa edição anterior podem voltar a inscrever-se desde que continuem a cumprir os requisitos necessários. A candidatura ao prémio é feita online através de um formulário próprio, onde deverá ser anexado o curriculum vitae do candidato e, depois, há que apresentar também cópias de credenciais das valências académicas e profissionais invocadas. A seleção e avaliação dos candidatos é feita em três fases: pré-seleção de uma short-list de 60 candidatos, entrevista com equipa de recursos humanos para definição da lista final de 40 classificados e apresentação individual perante júri (que abrange apenas os dez candidatos mais fortes, mas este ano são 12 porque o 10º, 11º e 12º têm a mesma pontuação). Na apresentação individual ao júri, com duração máxima de 40 minutos, o candidato deverá apresentar o seu caso, a sua proposta de valor e partilhar a sua visão para o futuro. No dia 10 de dezembro decorrerá a cerimónia de entrega dos prémios e, depois, será publicado o top 10, bem como o restante ranking com os líderes do futuro.

A equipa do júri

Cabe aos jurados elaborar o ranking final dos 40 líderes do futuro e é perante este painel que os 12 candidatos mais fortes fazem uma apresentação individual, numa disputa pelo primeiro lugar

António Horta Osório
CEO (presidente do júri)
Lloyds Banking Group

Ricardo Parreira
CEO
PHC

Sérgio Monte Lee
Sócio
Deloitte

Teresa Cardoso de Menezes
Diretora-geral
Informa D&B

Isabel Barros
Administradora para a área de Recursos Humanos
Sonae MC

Miguel Gomes da Costa
Presidente do Conselho Fiscal
COSEC

Francisco Pedro Balsemão
CEO
Impresa

Luís Filipe Pereira
Presidente
FAE - Fórum de Administradores e Gestores de Empresa

Ana Loya
CEO
Mindshift

Opinião - Ana Loya
Tarefa árdua

O grande desafio enfrentado no decurso deste processo de seleção residiu, sobretudo, no facto de estarmos perante uma população muito diferenciada, plena de talento e que apresenta um elevado potencial para dar cartas num futuro muito próximo. Comparar tal amostra não foi, pois, tarefa fácil. Praticamente todos os 60 entrevistados poderiam constar de uma lista com grande paridade e boa parte dos agora não nomeados serão seguramente líderes amanhã. A edição de 2018 contou com um número muito elevado de potenciais eleitos. Todavia, apesar do projeto ser inclusivo e aberto, uma primeira análise global permite-nos levantar algumas questões fundamentais para a reflexão acerca do presente e, sobretudo, do futuro do talento e da liderança em Portugal. A saber:

Numa época marcada pela centralidade das discussões em torno dos desafios associados à diversidade e inclusão, nomeadamente de género, por que motivo tão poucas mulheres se candidataram? A percentagem de candidatos do sexo feminino revelou-se significativamente baixa, pelo que podemos questionar-nos se, em Portugal, em contraste com o que se verifica noutros países europeus, as mulheres não se interessam por estes rankings, ou até se, nesta faixa etária já estão mais afastadas dos cargos de gestão?

Verificou-se igualmente uma percentagem muito baixa de candidatos que integram grandes empresas. Sabendo-se que existe uma guerra de talento na qual as grandes organizações investem bastante, sabe-se também que muito talento português aí está concentrado. Será que os cargos de direção estão vedados a pessoas abaixo dos 40? Será que estes têm vergonha, medo ou preocupação de imagem por integrarem um ranking? Esta tendência contrasta também com a que ocorre noutros países, onde, em regra, nos rankings constam dirigentes de grandes empresas. Estaremos perante um problema de falta de arrojo ou de falta de autoconfiança?

Vemos mais candidatos de grandes empresas, mas que estão a trabalhar no estrangeiro. Maior arrojo? Mais autoconfiança?

Outro aspeto a salientar, na linha do ponto anterior, está ligado ao facto de muitos nomeados do ano passado não se terem recandidatado. As características do projeto levam a que todos os anos entre gente nova e que saiam os participantes com mais de 40 anos. Sendo um ranking dinâmico o que leva os que foram nomeados a não se quererem recandidatar?

A boa notícia e de esperança prende- -se aos donos do seu destino: um grande número da geração dos empreendedores arrisca sem medo (mas com vontade) de ver o seu nome escolhido. Esperamos então, em 2019, ainda mais candidatos cheios de talento, autoconfiantes, arrojados, humildes, a quererem saber onde se situam e o que têm de desenvolver: características que, sem dúvida, serão sempre necessárias aos grandes líderes.

Lista dos escolhidos

Adelino Silva Matos
Presidente e CEO
ASM Industries

Ana Sofia Barbosa
Head of Portugal Global Delivery Centre
Fujitsu Technology Solutions

Bruno Casadinho
Chief Operating Office
Altran Group

Custódio Martins da Costa
CEO e Fundador
Grupo CMM

David Bernardo Santo
CEO e Fundador
LITS Adventures

David Ralha Portugal
Diretor de Estratégia e Expansão
Finieco SA

Diogo Neves de Carvalho
Diretor - Advisory Strategy and Operations
KPMG

Duarte Líbano Monteiro
Diretor-Geral
Ibéria Ebury

Dulce Felgueiras Palhinhas
Membro da Comissão Executiva
Painhas SA

Emanuel Proença
Administrador Executivo
Grupo Prio

Euclides Ferreira Major
CEO e Cofundador
OZZY Ride Lda e GuestU S.A.

Felipe Ávila da Costa
CEO e Cofundador
Infraspeak S.A.

Francisco Maia de Matos
Direção do Bloco Operatório do Hospital Geral, UCA e CSB do CHUC
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Gustavo Paulo Duarte
Diretor-Geral Transportes
Paulo Duarte Lda

João Guimarães Cília
Diretor-Geral
Well’s — Sonae MC

João Costa Araújo
Head de Negócios Digitais
Itaú Unibanco

João Brito Martins
Diretor-Geral da EDP Distribuição Espírito Santo
EDP Brasil

João Nielsen Sebastian
Diretor
Apple

José Tenório de Figueiredo
Diretor-Geral
ComparaJá.pt

Leandro Ferreira Pereira
CEO
WINNING Scientific Management

Luís Pedro Martins
CEO
Zaask

Manuel Veríssimo da Luz
CFO
Banco EuroBic

Miguel dos Santos Fonseca
Sócio
McKinsey & Co

Miguel Faria
Diretor de Inovação, Lean Management e Consultoria
The Navigator Company

Miguel Pina Martins
CEO & Fundador
Science4you S.A.

Nuno Pereira Rangel
CEO e Vice-presidente
Rangel Logistics Solutions

Nuno Silva Vieira
Sócio Gerente
Vieira Advogados

Nuno Silva
Diretor de Tecnologia e Inovação
EFACEC

Nuno Bretes da Silva
VP
Portfolio Group Advent International (Brasil)

Pedro Coelho Bartolo
Diretor-Geral
Sonae MC

Pedro Pereira Gonçalves
COO
Monte da Ravasqueira — Grupo José de Mello

Pedro Fernandes Teixeira
Diretor Buildings & Infrastructure para o Sudoeste Asiático
Bureau Veritas

Ricardo Martins da Costa
CEO
Grupo Bernardo da Costa

Ricardo Ferreira
Sócio Gerente/Head of Incoming e M.I.C.E.
OSIRIS (www.osiris.pt) + OJETS (www.o-jets.com)

Ricardo Louro Ferreira
Diretor-Geral
JP SÁ COUTO S.A.

Ricardo Santos Sousa
CEO
CENTURY 21 Iberia (Spain and Portugal)

Ricardo Costa Bastos
Presidente/CEO
Grupo dreamMedia

Sérgio Carriço Pereira
Diretor-Geral
Chauffeur Privé

Sérgio Reis Vieira
CEO
Binary Subject S.A.

Vítor Sequeira Figueiredo
Diretor-Geral
NGreenyard Logistics Portugal S.A.

Textos originalmente publicados no Expresso de 10 de novembro de 2018