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Conselheiro de Trump ataca Wall Street e Bolsas de Nova Iorque não gostaram

Peter Navarro, conselheiro económico de Trump, acusou na sexta-feira os pesos pesados da bolsa norte-americana de serem “agentes estrangeiros [da China] não registados”. Bolsas aprofundaram quedas que se iniciaram na quinta-feira, depois de uma primeira reacção positiva ao empate eleitoral nas intercalares para o Congresso

Wall Street não gostou do ataque do conselheiro económico de Trump. Peter Navarro disse aos pesos pesados da finança nova-iorquina que acabem com as pressões para obrigar o presidente a chegar a acordo com a China no final do mês em Buenos Aires, aquando da reunião do G20. O autor de "Morte pela China - Enfrentando o Dragão. Uma chama global à ação" acusou-os de serem "agentes estrangeiros não registados".

A reação não se fez esperar no nervoso floor nova-iorquino. As duas bolsas mais importantes do mundo, o New York Stock Exchange (NYSE) e o Nasdaq, fecharam na sexta-feira no vermelho, com uma queda de perto de 1%, aprofundando o recuo do dia anterior, após a reunião do banco central norte-americano ter confirmado que não se desvia um mílimetro da estratégia de aperto da política monetária

O NYSE e o Nasdaq começaram por reagir positivamente na quarta-feira ao empate nos resultados das eleições intercalares realizadas na terça-feira, mas logo regressaram ao seu ‘normal’, revelado no mês negro de outubro, fechando no vermelho na quinta e sexta-feiras.

O índice MSCI para os EUA, para as duas bolsas de Nova Iorque, caiu 0,29% na quinta-feira e deslizou 0,94% na sexta. As duas bolsas registaram, no entanto, um ganho semanal de 1,96%, em virtude da subida de 2,09% na quarta-feira, reagindo positivamente à vitória dos Democratas na Câmara dos Representantes e ao reforço da maioria no Senado pelos Republicanos.

O empate eleitoral na terça-feira foi bem recebido por Wall Street por poder significar um travão aos excessos na política doméstica por parte do Presidente, sem, no entanto, precipitar uma crise política aguda, caso Trump tivesse perdido, também, a maioria no Senado. Mas o efeito positivo nas bolsas foi passageiro.

Navarro acusa agentes estrangeiros encapotados

Regressando aos factos. O clima toldou-se seriamente na sexta-feira depois de Peter Navarro, conselheiro económico de Trump, ter acusado alguns dos pesos pesados de Wall Street de estarem a exercer pressão sobre o presidente para que feche um acordo com a China no final do mês em Buenos Aires à margem do G20.

Numa conferência em Washington promovida na sexta-feira pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Navarro mimoseou os financeiros de Wall Street, citando inclusive nominalmente a Goldman Sachs, de serem “agentes estrangeiros não registados”, e avisando-os de que deviam “sair fora das negociações” com a China a propósito da guerra comercial.

Têm-se multiplicado notícias contraditórias sobre a disponibilidade da Casa Branca chegar a um entendimento com Pequim no final do mês em Buenos Aires, à margem da reunião do G20. A própria agenda do presidente norte-americano em Buenos Aires continua incerta e o jantar entre Trump e Xi Jinping, preparado pela presidência argentina, está envolto na incerteza, reporta o site argentino Infobae.

Num alerta fora do comum, o decano da geopolítica norte-americana, Henry Kissinger, ex-secretário de Estado de Nixon, avisou num Fórum organizado esta semana pela Bloomberg em Singapura, que, "se a ordem mundial passar a estar sujeita a um conflito permanente entre os EUA e a China, arrisca-se, mais tarde ou mais cedo, a ficar fora de controlo".

Fed mantém estratégia de aperto monetário

O ataque sem precedente a Wall Street por parte de um conselheiro da Casa Branca juntou-se à reafirmação, clara, da Reserva Federal (Fed) na quinta-feira, após uma reunião de dois dias, de que prosseguirá na subida das taxas directoras, apesar dos ataques ao aperto da politica monetária do banco central por parte do presidente Trump em outubro. A reunião de política monetária terminada na quinta-feira reafirmou a estratégia de subida gradual das taxas directoras.

Os mercados financeiros esperam que um novo aumento de 25 pontos-base seja anunciado no final da reunião a 19 de dezembro. A probabilidade para que essa subida se concretize é de 75,8%, segundo o CME FedWatch. Esta ferramenta de cálculo de probabilidades baseia-se nos dados dos futuros da taxa directora da Fed a 30 dias.

O comunicado da Fed, publicado na quinta-feira, revela, ainda, que o investimento em capital fixo “moderou”, depois de um “crescimento forte”, assinalado no comunicado da reunião anterior em Setembro. Essa moderação do investimento está a ser interpretada como um primeiro sinal de que a guerra comercial está a fazer mossa dentro dos próprios EUA, com a incerteza a avolumar-se nos meios empresariais. Jerome Powell, presidente da Fed, já fez eco das “preocupações” dos empresários em conferências de imprensa realizadas este ano após as reuniões da Fed, e nomeadamente em setembro. Na reunião desta semana não se realizou encontro com os jornalistas.

Em dezembro haverá conferência de imprensa e divulgação das últimas Projeções Económicas do ano, e será a primeira vez que Powell poderá ser questionado publicamente sobre os ataques de Trump à Fed em outubro e acerca do andamento da guerra comercial com a China, depois do G20. A última reunião do ano do comité de política monetária da Fed vai decorrer a poucas semanas da Administração norte-americana prever subir a taxa alfandegária de 10% para 25% sobre as importações da China que já estão abrangidas pela segunda vaga de medidas proteccionistas avançada a 24 de Setembro e poder anunciar a fase seguinte de alargar a guerra ao resto das importações.

Bolsas à escala mundial com ganhos semanais

Apesar de sexta-feira ter fechado no vermelho nas praças internacionais, com destaque para quebras mais significativas em Moscovo, Hong Kong, Nasdaq (em Nova Iorque) e Xangai, a semana foi de ganhos à escala mundial, com o índice MSCI para todas as bolsas a registar uma subida de 0,92%.

O avanço do índice mundial deveu-se sobretudo ao bom desempenho em Nova Iorque, com o índice MSCI a registar um ganho semanal de 1,96%. A Zona euro teve uma subida semanal ligeira, de 0,06%. As maiores quedas registaram-se para os índices da América Latina, com uma perda de 3,7%, e do conjunto dos mercados emergentes, com um recuo de 2%. O índice para a Ásia teve uma perda semanal de 0,89%.

As maiores perdas semanais em termos de índices por país verificaram-se na Argentina, com uma queda do Merval de 4,8%, na China, com uma queda de 4% para o índice MSCI das duas bolsas (de Xangai e Shenzhen), em Hong Kong, com um recuo de 3,3% do Hang Seng , e no Brasil, com o iBovespa a cair 3,1%. Na Zona euro, as principais quedas semanais registaram-se em Dublin, com o índice ISEQ a perder 0,8%, e em Milão, com o MIB a cair 0,7%.

Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,8% durante a semana.