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Portugal regressa ao mercado da dívida na próxima quarta-feira

O IGCP anunciou para dia 14 de novembro um leilão de Obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos com o objetivo de colocar entre 1000 e 1250 milhões de euros para fazer mais um pagamento antecipado ao FMI. A operação decorre no dia seguinte à data limite para o governo italiano responder ao chumbo do seu orçamento para 2019 pela Comissão Europeia

Portugal regressa ao mercado da dívida obrigacionista na próxima semana, a 14 de novembro, anunciou esta sexta-feira a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP). O Estado pretende colocar entre 1000 e 1250 milhões de euros através de um leilão de duas linhas de Obrigações do Tesouro (OT) a vencer em 2023 e 2028. O IGCP refere que o montante servirá para fazer mais um pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Esta colocação já não será necessária para concluir o programa de financiamento de 2018, pois os €15,1 mil milhões planeados já foram emitidos, segundo a última apresentação a investidores publicada pelo IGCP em outubro. Uma nota desta sexta-feira do Commerzbank já adiantava que o Tesouro português iria usar o valor que vier a ser colocado para "cobrir reembolsos ao FMI mais rapidamente do que o previsto". O que a Agência confirmou. As previsões de novos reembolsos apontavam para 2021 e 2022, em montantes iguais de €1,9 mil milhões, segundo a apresentação a investidores acima referida.

No prazo a 5 anos, o leilão mais recente realizou-se em setembro e o Tesouro pagou aos investidores uma taxa de 0,647%. Atualmente, os juros (yields) desta linha de OT no mercado secundário subiram para mais de 0,7%. Se se mantiver esta tendência, o Estado terá de pagar mais no leilão da próxima quarta-feira.

A 10 anos, o IGCP realizou um leilão em outubro, tendo pago 1,939%, o valor mais elevado desde fevereiro. Os juros no mercado secundário têm flutuado em torno desse valor.

Os juros das obrigações portuguesas têm sofrido algum contágio italiano, ainda que limitado. Com a data limite de resposta de Roma a Bruxelas marcada para dia 13, um dia antes do leilão, os juros da dívida portuguesa poderão sofrer alguma onda de choque em função de como vai evoluir o braço de ferro entre a Comissão Europeia e o governo italiano.