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Lesados do Banif querem ser recebidos por Marcelo Rebelo de Sousa

Manifestação de lesados do Banif no Funchal

d.r.

Os lesados do Banif, vendido ao Santander Totta faz em dezembro três anos, pediram esta semana uma audiência ao Presidente da República. São 3500 e compraram 263 milhões em obrigações quando o banco era controlado pelo Estado

A associação que representa os lesados do Banif, a ALBOA, fez chegar a Belém no dia 6 um pedido para os seus representantes serem recebidos pelo presidente da República. Uma iniciativa que surge depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter dado o mote, quando a 2 de novembro no Funchal, prometeu "inteirar-se do assunto", quando se deparou com uma manifestação dos lesados.

O objetivo da associação, presidida por Jacinto Silva, "é informar cabalmente o Presidente sobre a situação dos lesados", desde que o ex-Banif foi comprado pelo Santander Totta faz três anos no final de dezembro. E pedir a sua ajuda para uma solução.

Os lesados do Banif querem ter uma solução idêntica à que conseguiram os lesados do BES, para os quais foi criado um fundo destinado a recuperar o seu dinheiro.

Os cerca de 3500 lesados que se dizem enganados pelo Estado são sobretudo clientes das regiões autónomas da Madeira e Açores e das comunidades emigrantes portuguesas da Venezuela, África do Sul e Costa Leste dos EUA e querem ser ressarcidos do investimento que fizeram e que no total ascendeu a 263 milhões de euros, já que depois da venda do Banif ao Santander Totta por 150 milhões, estas obrigações ficaram no Banif "mau", sem que tenham direito a ser ressarcidos devido ao tipo de investimento sem qualquer garantia.

Está entretanto em banho-maria a assinatura de um memorando com o governo, prevista para acontecer até ao final do ano.

A ALBOA, na missiva que dirigiu a Marcelo Rebelo de Sousa, esclarece que "houve uma campanha de contornos agressivos junto dos clientes" a maioria dos quais "pessoas modestas, de escassos estudos e sobretudo de baixissima literacia financeira". E diz ter documentos internos do Banif que "revelam as orientações dadas aos comerciais do banco para conseguirem levar a cabo, a todo o custo, a referida estratégia de venda de obrigações". A associação diz ter ainda testemunhos de, por exemplo nos Açores, "as operações de venda terem sido por vezes feitas juntos de pastores em pleno campo de pastagens de animais". Um exemplo que diz ilustrar bem "a atuação esforçada de como se venderam as obrigações do Banif agora em causa".

Recorde-se que a presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Gabriela Figueiredo Dias, disse em junho aos deputados que a investigação levada a cabo pelo regulador do mercado concluiu não ter havido irregularidade generalizada na venda de produtos do Banif aos lesados e que por isso não seria possível ter acesso ao fundo de recuperação de créditos.

Os representantes dos lesados dão nota na carta que dirigem ao Presidente da República de que a estratégia de venda serviu para capitalizar o banco, controlado na altura pelo Estado e que foi nessa altura, muito antes da venda, que "o departamento comercial do Banif transmitiu orientações aos seus serviços bancários para abordarem os pequenos aforradores da instituição a fim de os convencerem a aplicarem as suas poupanças, muitas vezes de toda uma vida, em compras de obrigações do banco, com o argumento de que seria um investimento garantido e seguro, tão seguro como na CGD, já que o banco estava nacionalizado".

Acontece que estas obrigações acabaram por ser transferidas para o Banif mau. E por isso afirmam que, "ao contrário do BES/Novo Banco , em que houve crime e falsificações de contas, no Banif é o bom nome do Estado que está em causa, pois foi à sombra da sua garantia que se realizaram as transações".