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“Portugal é o Massachusetts da formação na lusofonia”

"Inovação, ligação às empresas e criação de valor para o país" foi o tema que juntou à mesa Eduardo Anselmo, vice-reitor da Universidade de Aveiro, Carlos Ribeiro, vice-reitor da Universidade de Lisboa, António Carreto Fidalgo, reitor da Universidade da Beira Interior e João Faria Conceição, COO da REN. A moderar o debate (na foto mais à esquerda) esteve Pedro Santos Guerreiro, diretor do Expresso

NUNO FOX

As universidades estão a contribuir para o rejuvenescimento do país e para o seu posicionamento como fonte de conhecimento. Atração crescente de estudantes estrangeiros pode ser a solução para a falta de recursos especializados no meio empresarial

Fátima Ferrão

A qualidade do ensino universitário em Portugal e o baixo valor das propinas quando comparado com instituições de referência europeias estão a atrair cada vez mais jovens estrangeiros, muitos oriundos de outros países lusófonos. “As universidades são um dos vetores mais competitivos do país”, afirmou António Carreto Fidalgo, reitor da Universidade da Beira Interior, durante o debate que antecedeu a entrega dos Prémios REN, que decorreu hoje no Hotel Ritz, em Lisboa. “Portugal está a tornar-se o Massachusetts da formação em língua portuguesa”, acredita.

À mesma mesa, para debater o tema “Inovação, ligação às empresas e criação de valor para o país” sentaram-se ainda Eduardo Anselmo, vice-reitor da Universidade de Aveiro, Carlos Ribeiro, vice-reitor da Universidade de Lisboa, e João Faria Conceição, COO da REN. A conversa foi moderada por Pedro Santos Guerreiro, diretor do Expresso.

Apesar de acreditar na qualidade do ensino universitário e de defender que este é diferenciador e um fator de competitividade para o país, António Carreto Fidalgo teme que “não estejamos a promover a capacidade exportadora que temos em Portugal”. Para o reitor, um dos grandes problemas passa pela fuga de cérebros para o estrangeiro, uma realidade que deve ser combatida atraindo jovens de outros países para estudar em Portugal, nomeadamente os de língua portuguesa. Na sua universidade, exemplifica, que do total de 7500 alunos, cerca de 16% são estrangeiros. Um número que gostaria de fazer crescer pois, acredita, “esta pode ser a resposta para a falta de recursos altamente especializados de que as empresas nacionais precisam”.

Eduardo Anselmo partilha de opinião semelhante. No entanto, destaca a importância de reforçar a relação entre a academia e o meio empresarial. “É muito importante saber junto das empresas, especialmente as mais pequenas, o que têm e do que precisam para inovar e crescer”. O vice-reitor dá o exemplo do modelo alemão, cujo sistema industrial é feito por pequenas empresas inovadoras. “Em Aveiro tentamos fazê-lo junto dos empresários da região que reconhecem a falta de doutorados e de mestrados nos seus quadros”, explica. Desta relação de proximidade nasceu já um projeto que lança às empresas o desafio de escolherem internamente pessoas que possam beneficiar de um doutoramento numa das muitas áreas de conhecimento daquela universidade que, em troca, cria a formação adequada. “Esta é uma das formas de democratizar o acesso à inovação, fundamental para a criação de valor para o país”, acredita.

Já Carlos Ribeiro defende um forte incentivo à mobilidade e à transferência de conhecimento entre universidades e empresas, com vista a estimular a inovação. “As nossas universidades estão todas a fazer um ótimo trabalho”, salienta. No entanto, para criar estes estímulos “é preciso juntar todos os saberes de cada universidade para criar ofertas pluridisciplinares". Trata-se, explica, de uma solução de redes (diferente da clássica incubação), que passa por juntar nestes pontos informais as necessidades das empresas e a resposta da academia. O vice-reitor da Universidade de Lisboa lembra que, a partir do próximo ano, a quebra demográfica chegará às universidades, o que dificultará uma boa resposta destas às necessidades empresariais. “É preciso trazer mais gente de fora e fixá-los por cá”, acredita ser a solução.

Enquanto representante do meio empresarial neste debate, João Faria Conceição reforça a ideia da urgência em estreitar laços entre os dois mundos. “Há um caminho de melhoria a fazer. As empresas têm que ser capazes de explicar melhor o que precisam, e as universidades de percebê-lo”. Na REN, esta relação já existe sob a forma de projetos diversos, desenvolvidos em conjunto com todas as universidades do país.

Há 24 anos a premiar a inovação

O encontro de reitores, e o tema em debate, foram o mote para a posterior cerimónia de entrega das distinções da 24ª edição do Prémio REN, destinado a recém mestrados, e que visa distinguir as melhores teses de entre um conjunto de temas relacionados com os desafios da eficiência energética. Aos três prémios – de 25, 15 e 10 mil euros, respetivamente - juntam-se duas menções honrosas, premiadas com €2500 cada.

Os trabalhos dos cinco vencedores destacaram-se de entre as 36 teses de mestrado a concurso, depois de terem passado por um exaustivo e cuidado processo de análise pelo júri do concurso, presidido por João Peças Lopes, professor catedrático da FEUP. Gabriel Maciel, do Instituto Superior Técnico, foi o grande vencedor, Pedro de Beires, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), foi o segundo premiado e, a fechar o pódio, esteve Fábio de Brito, da mesma universidade. Esta instituição da invicta foi ainda representada, nas menções honrosas, por João Espírito Santo. A segunda menção honrosa foi entregue a João Anjo, do Instituto Superior Técnico.

O presidente do júri aproveitou a ocasião para anunciar que, em 2019, a 25ª edição do Prémio REN estará também aberta às teses de doutoramento. A atribuição deste prémio terá uma frequência bianual, podendo concorrer todas as teses que tenham sido defendidas nos dois anos letivos anteriores a cada ano em que se entregará o prémio. O valor pecuniário do primeiro prémio também será atualizado, sendo de €30 mil no próximo ano.

Os prémios foram entregues por Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; Rodrigo Costa, chairman e CEO da REN, Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa; e João Peças Lopes, presidente do júri e professor catedrático da FEUP.

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