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Lucro da EDP afunda-se 74%

O presidente da EDP, António Mexia, gere desde maio uma empresa condicionada pela oferta pública de aquisição da China Three Gorges

fOTO JOSÉ CARIA

A elétrica presidida por António Mexia teve nos primeiros nove meses do ano um lucro de 297 milhões de euros. Foi uma queda de 849 milhões face ao ano passado

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP fechou os primeiros nove meses do ano com um lucro de 297 milhões de euros, uma queda de 74% face ao ano passado, influenciada principalmente por fatores extraordinários, como uma mais-valia registada em 2017 e uma provisão contabilizada já no terceiro trimestre de 2018.

O resultado dos primeiros nove meses de 2018, um dos mais baixos de sempre da elétrica desde que esta é liderada por António Mexia, é fruto de dois impactos não recorrentes: a contabilização da mais-valia da venda da espanhola Naturgas (que ocorreu em 2017 e não se repetiu em 2018) e uma provisão de 285 milhões de euros (já este ano) relacionada com um despacho do ex-secretário de Estado da Energia ligado a acertos do regime dos CMEC - Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual.

Sem efeitos extraordinários, o resultado líquido recorrente da EDP foi de 570 milhões de euros, 2% acima do ano passado.

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) baixou 26% nos primeiros nove meses do ano, mas numa base recorrente teria descido 6% (uma queda justificada principalmente com efeitos cambiais).

No final de setembro a dívida líquida da EDP era de 14,5 mil milhões de euros, acima dos 13,9 mil milhões do final do ano passado.

Em declarações ao Expresso, o administrador financeiro da EDP, Miguel Stilwell, afirmou que a empresa espera que a dívida feche o ano em torno dos 14 mil milhões de euros "ou ligeiramente abaixo".

Miguel Stilwell realçou que nos primeiros nove meses do ano o lucro obtido pela EDP nas suas operações em Portugal não foi além de 18 milhões de euros. A empresa chegou a emitir um comunicado ao mercado admitindo que poderá fechar este ano com prejuízos na sua operação em Portugal pela primeira vez, devido às provisões relacionadas com as medidas do ex-secretário de Estado da Energia Jorge Seguro Sanches em torno dos CMEC.

"Temos mais de 10 mil milhões de euros de capitais investidos em Portugal", sublinhou Miguel Stilwell, sem, contudo, tecer comentários sobre as perspetivas da EDP para as suas operações portuguesas, à luz do contexto regulatório adverso, que penalizou as contas deste ano.