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Juros da dívida italiana em alta depois de Bruxelas prever défice de quase 3% para 2019

Os juros dos títulos italianos subiram esta quinta-feira para 3,42% e o prémio de risco reaproximou-se da linha vermelha dos 300 pontos depois da Comissão Europeia revelar que o défice orçamental de Itália vai subir para 2,9% no próximo ano e 3,1% no ano seguinte, muito acima das próprias previsões do governo de Roma. O choque entre a Comissão e o governo italiano agrava-se

O mercado da dívida pública foi o primeiro a reagir às previsões de Bruxelas, divulgadas esta quinta-feira, revelando que o disparo orçamental em Itália vai ser muito superior ao previsto pelo próprio governo.

Os juros (yields) dos títulos transalpinos a 10 anos subiram esta quinta-feira no mercado secundário para 3,42% e o prémio de risco chegou a 296 pontos-base (quase 3 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência). A linha vermelha é considerada nos 300 pontos. Os juros estão abaixo do máximo de mais de quatro anos de 3,78% registado a 19 de outubro no mercado secundário, mas acima dos 3,36% pagos no leilão de final de outubro.

O efeito negativo de uma subida dos juros em novembro e dezembro no plano de financiamento do Tesouro italiano para 2018 será limitado, pois com o leilão de final de outubro o governo já financiou 91% das necessidades.

O contágio para a dívida portuguesa foi muito limitado; os juros das Obrigações do Tesouro português subiram 1 ponto-base face ao fecho do dia anterior, estando em 1,93%. No caso dos juros italianos a subida foi de 8 pontos-base.

Disparo orçamental em Itália

As Previsões de outono da Comissão Europeia apontam para um défice orçamental em Itália de 2,9% do PIB em 2019 e de 3,1% em 2020, muito acima das próprias previsões enviadas por Roma para Bruxelas que estimavam défices de 2,4% e 2,1% naqueles dois anos.

Com estas previsões de Bruxelas, o chumbo do orçamento para 2019 apresentado pelo governo de Roma sai ainda mais reforçado. Não só as previsões para o disparo são superiores às do próprio governo, como o fosso em relação ao que é exigido pela Comissão é cada vez maior - no próximo ano o défice deveria descer para 0,8% do PIB e deverá ficar, segundo Bruxelas, 2,1 pontos percentuais acima.

Em vez da descida da dívida no PIB prevista pelo governo italiano, apontando para 130% em 2019 e 128,1% no ano seguinte, as previsões de Bruxelas apontam para uma estabilização em 131% nos dois anos.

Uma das razões para as discrepâncias nas previsões prende-se com o facto que a Comissão projeta crescimentos muito inferiores aos previstos pelo governo. Roma projeta que o crescimento deverá subir para 1,5% em 2019, quando Bruxelas fala de 1,2%. Em 2020, Roma aponta 1,6% e Bruxelas fica-se por 1,3%.

O governo italiano acredita que a expansão orçamental terá um efeito multiplicador na economia, enquanto, nas previsões da Comissão, a Itália continuará a liderar os mais lentos da zona euro, onde se incluem Bélgica, França, Alemanha e Portugal.

Roma quer que o seu 'modelo' seja copiado na zona euro

Até à data, Roma não deu sinais de que procederá à correção dos 'desvios' orçamentais que a Comissão Europeia exige até 13 de novembro, terça-feira da próxima semana, data marcada por Bruxelas para receber uma resposta com a eliminação da expansão orçamental e o regresso às regras de ajustamento acordadas pelo governo anterior.

Pelo contrário, o vice-primeiro-ministro Luigi Di Maio disse em entrevista ao jornal "Financial Times", no domingo passado, que a estratégia italiana é similar à política de expansão orçamental da Administração Trump que estaria a dar bons resultados nos EUA, e que deveria ser toda a zona euro a seguir a 'receita' italiana.