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Bruxelas com previsões mais pessimistas do que Centeno

OLIVIER HOSLET / EPA

Previsões de outono da Comissão Europeia apontam que o crescimento do PIB em Portugal deverá abrandar para 1,8% em 2019 e 1,7% em 2020, quando as previsões do Governo são aqui de 2,2% e 2,3%

Apesar da procura doméstica continuar forte, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá arrefecer em Portugal em 2018 e 2019, à semelhança das exportações líquidas - são algumas das conclusões das previsões de outono da Comissão Europeia divulgadas esta quinta-feira.

Segundo as previsões de Bruxelas, o crescimento do PIB em Portugal deverá situar-se em 1,8% no próximo ano e em 1,7% em 2020. São previsões mais pessimistas que as do Governo, que estima um crescimento do PIB de 2,2% em 2019 e de 2,3% em 2020.

Lembrando que, em termos reais, o aumento do PIB em Portugal no primeiro semestre de 2018 foi de 2,3%, motivado pela forte procura doméstica e em linha com as previsões de verão, as previsões de outono da Comissão Europeia apontam ainda que o país deverá fechar este ano com um crescimento de 2,2%, o que já representa um arrefecimento face aos 2,8% em 2017.

Criação de emprego deverá desacelerar, mas com melhorias de produtividade

Bruxelas também prevê um abrandamento em Portugal nos próximos anos ao nível da criação de emprego, apesar de antecipar melhorias na produtividade laboral. E constata que em 2018 o crescimento do emprego no país já foi mais moderado nos meses de verão, e que em termos mensais o desemprego estabilizou para valores próximos da média europeia.

O crescimento do emprego deverá assim ser mais moderado em Portugal, e a taxa anual média de desemprego deverá baixar para 6,3% em 2019 e 5,9% em 2020.

Portugal no clube dos que menos crescem em 2019 e 2020

Portugal integra o grupo dos cinco mais lentos da área do euro em parceria com Itália - a economia com o crescimento mais fraco -, Bélgica, Alemanha e França.

A principal causa da desaceleração é o abrandamento da própria economia da zona euro, cujo crescimento vai descer para 1,9% em 2019 e 1,7% em 2020, e os crescentes riscos internacionais associados à incerteza global, à continuação da guerra comercial, ao impacto negativo de um Brexit mal concluído e do regresso de dúvidas sobre alguns membros do euro (leia-se Itália).

No entanto, a Comissão considera que os riscos estão "equilibrados", pois a incerteza nos mercados externos pode ser compensada por um desempenho mais positivo da procura interna.

No que respeita ao ajustamento orçamental, as previsões de outono de Bruxelas são mais pessimistas do que o governo. Apontam para um défice de 0,6% do PIB em 2019, o triplo do previsto por Mário Centeno no Orçamento, e 0,2% em 2020.

A Comissão coincide com o governo na trajetória de redução do peso da dívida pública no PIB em 2018 e 2019, apontando para 121,5% e 118,2% respetivamente. No Orçamento, Centeno estima o fecho deste ano em 121,2%, e prevê 118,5% em 2019, ligeiramente acima da projeção de Bruxelas.