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Investimento em startups tecnológicas caiu 14% nos últimos cinco anos

A Unbabel é a scaleup portuguesa que lidera o top 25 elaborado pela Building Global Innovators e pela EIT Portugal

Financiamento para a área tecnológica cai para 185 milhões de euros, menos 14% que no período entre 2011 e 2016. Relatório ScaleUp Portugal revela também o top 25 das startups até cinco anos de idade em maior expansão

O top 25 das startups portuguesas criadas entre 2012 e 2017 conseguiu captar 60% do investimento total canalizado para a área tecnológica nesse período: 110,7 milhões de um total de 185 milhões de euros. Este valor total, no entanto, caiu 13,9% para 185 milhões de euros.

A conclusão é do relatório "ScaleUp Portugal 2018", apresentado na noite de terça-feira no Pavilhão do Conhecimento, a poucos passos da Web Summit. Aquele que é o relatório mais compreensivo sobre o empreendedorismo português, elaborado pela EIT Portugal e pela Building Global Innovators (BGI), aceleradora de startups patrocinada pelo MIT Portugal, partiu de uma amostra de 480 empresas de tecnologia portuguesas criadas entre 2012 e 2017, analisando o financiamento captado, as receitas, receita de capital e a criação de emprego.

O decréscimo no investimento nesse período está relacionado com "um fator de sazonalidade", ou seja, "muitos fundos a serem formados e, por isso, ainda em fase de angariação de fundos", especifica aos jornalistas Gonçalo Amorim, diretor executivo da BGI, à margem do evento de apresentação do relatório, em Lisboa.

Unbabel, Veniam, 360imprimir, Codacy, Zaask, Landing Jobs e Sword Health são algumas as empresas que compõem o top 25 elaborado pela aceleradora de startups.

Juntas, estas empresas conseguiram criar 850 postos de trabalho, dos quais apenas 24,4% foram atribuídos a mulheres. Um número que, para o responsável, "mostra que temos que fazer melhor para angariar mulheres para a área tecnológica em Portugal".

Investimento em mãos estrangeiras

As tecnologias de informação e comunicação são as que reúnem a maioria do investimento não só entre o top 25 (73 milhões de euros), mas também em todo o ecossistema de inovação e empreendedorismo português, no qual representam mais de metade do capital angariado. Esta área é também aquela que regista um maior volume em termos de crescimento de receitas, seguida da área da internet e do consumo.

A maioria desse investimento (72,6%) continua a vir do estrangeiro, com os Estados Unidos e o Reino Unido a liderarem-no nas 25 maiores startups portuguesas com cinco anos ou menos. O mesmo se verifica quando olhamos para o país: 77% do capital provém de fontes estrangeiras, particularmente dos Estados Unidos, o Reino Unido, a Bélgica e a França.

"Portugal continua a estar muito dependente de capital estrangeiro para financiar a inovação", complementa aos jornalistas diretor executivo da BGI. Apesar disso, a dependência diminuiu face ao relatório do ano passado, no qual as fontes não portuguesas "representavam 81%".

Porto, Lisboa e Coimbra completam o pódio da captação de investimento e receitas geradas, com Lisboa a destacar-se em termos de atração de capital estrangeiro.

Financiamento privado domina

Entre 70% e 80% do capital angariado pelas empresas portuguesas é capital de risco e 20% a 30% é público, acrescenta o mesmo responsável.

Questionado sobre o facto de a queda abrupta do investimento nos alumni da BGI coincidir com o início de Mário Centeno como ministro das Finanças e sobre se este decréscimo pode estar relacionado com a sua obsessão pelo défice, Gonçalo Amorim responde apenas: "Há sempre efeitos. Da burocracia, das cativações dos fundos públicos... houve atrasos superiores a um ano".

E deixa um alerta: "Os atrasos nos pagamentos do Estado podem hipotecar as empresas bebés, que estão ainda a começar. Tem que existir um respeito muito grande pelas fontes de financiamento".

De facto, em 2015 - ano em que Mário Centeno chegou à pasta das Finanças - o financiamento nos alumni da aceleradora de startups caiu de mais de 31 milhões para pouco mais de dois milhões de euros.

Consulte aqui o top 25 das scaleups até cinco anos

(1) Unbabel, (2) Veniam, (3) 360imprimir, (4) Vend2You, (5) Codacy, (6) Virtual Power Solutions, (7) Eneida, (8) Picadvanced, (9) Coimbra Genomics, (10) Sword Health, (11) Wetek, (12) Hole19, (13) Landing Jobs, (14) Xhockware, (15) Smarkio, (16) Zaask, (17) Lapa Studio, (18) Follow Inspiration, (19) Code for All, (20) Beon Energy, (21) Petsys Electronics, (22) Huub, (23) Fastinov, (24) Perceive3D, (25) Magnomics