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Empate nas eleições dos EUA anima Wall Street. Europa fechou com subida de 1,5%

Mario Tama/Getty

Não houve um tsunami democrata no Congresso nas eleições intercalares de terça-feira. Trump conseguiu maioria no Senado, apesar de derrotado na Câmara de Representantes. Bolsas de Nova Iorque estão em alta esta quarta-feira. Europa fechou com ganhos de 1,5%

Os mercados de ações na Europa registaram uma sessão positiva esta quarta-feira e as duas bolsas de Nova Iorque seguem a mesma tendência estando a negociar acima de 1%.

As bolsas europeias fecharam esta quarta-feira com ganhos de 1,5%, segundo o índice MSCI respetivo. O índice MSCI só para a zona euro avançou 1,68%. O índice Eurostoxx 600 (das seiscentas principais cotadas europeias) encerrou a sessão a subir 0,99%. Madrid, Dublin, Bruxelas, Viena e Milão lideraram as subidas, com o Ibex 35 espanhol a ganhar 1,99% e o ISEQ irlandês 1,93%. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 0,8%.

À hora de fecho na Europa, a sessão prossegue além-Atlântico. Nos EUA, os dois principais índices do New York Stock Exchange, o Dow Jones 30 e o S&P 500, estão em alta, com ganhos de 1,1% e 1,3% respetivamente. O Nasdaq, o índice das tecnológicas, avança 1,8%. As duas bolsas de Nova Iorque já vinham a subir esta semana, com o índice MSCI para os EUA a subir 0,5% e 0,6% respetivamente na segunda e terça-feiras, depois de perdas na sexta-feira passada.

Os juros (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos subiram no mercado secundário para 3,19%, mas mantêm-se abaixo do máximo de 3,26% registado em outubro. Em pleno dia de eleições, o Tesouro em Washington realizou um leilão de dívida a 10 anos onde pagou 3,209%, menos do que na emissão anterior, quando pagou 3,225%.

Com o empate nas eleições intercalares para o Congresso realizadas na terça-feira, o cenário mais pessimista de uma disrupção política, com um tsunami "azul" (de vitória dos Democratas nas duas câmaras do Congresso) foi colocado de lado. Os resultados de vitória dos Democratas na Câmara de Representantes e dos Republicanos no Senado estiveram em linha com as sondagens e com o que os investidores já haviam antecipado.

Um segundo pacote de corte nos impostos em 2019 pode ficar, agora, inviabilizado pelos Democratas, o que desagrada a muitos investidores, mas um controlo dos gastos federais nos dois próximos anos, que estão a ser engordados com a política orçamental expansionista de Trump, agrada a outros investidores, que veem mal a subida do défice e da dívida federais. O expansionismo orçamental da Administração Trump pode levar o défice federal a subir de 3,8% do PIB em 2017 para 4,7% em 2018 e 5% no ano seguinte. O conjunto da dívida pública norte-americana poderá subir para 110% do PIB no último ano de mandato de Trump, mais de três pontos percentuais do produto acima do rácio registado em 2016, deixado pelo seu antecessor, e apesar de se projetar um aumento do PIB nos quatro anos de mandato.

Ásia teme escalada na guerra comercial com a China

“Numa primeira leitura dos resultados há uma maior polarização na sociedade dos EUA, mas não há uma clara rejeição de Trump – tendo em conta os resultados no Senado. O presidente estará, agora, mais condicionado na sua governação interna, com os democratas, em maioria na Câmara dos Representantes, tentados a bloquear grande parte das iniciativas de política económica e orçamental”, refere Filipe Garcia, presidente da Informação de Marcados Financeiros. “O facto da economia norte-americana estar no bom caminho acabou por ajudar a evitar o pior resultado para Trump, pelo que uma eventual desaceleração do crescimento económico passa a ser o seu maior risco. Condicionado em política doméstica, não surpreenderá se o presidente passar a focar-se mais na política externa, onde poderá tornar-se ainda mais beligerante”, conclui o analista financeiro.

Esse temor do endurecimento na guerra comercial com a China marcou a sessão desta quarta-feira na Ásia, com as duas bolsas chinesas e as praças de Seul e Tóquio a fecharem no vermelho. A preocupação com uma escalada sentiu-se no Fórum Económico organizado pela Bloomberg em Singapura, que terminou esta quarta-feira. A voz mais autorizada no encontro na cidade-Estado foi a do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, um dos papas da geopolítica, que alertou para o risco da situação "ficar fora de controlo".