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Desemprego mantém-se nos 6,7% e não baixa pela primeira vez desde o final de 2016

Desemprego em Portugal está já muito próximo da taxa ‘natural’, alertam os economistas

Marcos Borga

A taxa de desemprego em Portugal no terceiro trimestre manteve-se nos 6,7%, inalterada face ao valor registado no trimestre anterior, indicam os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística

A taxa de desemprego em Portugal estava a baixar sucessivamente há ano e meio, com cada novo trimestre a registar um valor inferior aos três meses precedentes. Mas, o terceiro trimestre (entre julho e setembro) interrompeu essa tendência de queda.

Segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego manteve-se nos 6,7% entre julho e setembro, inalterada face ao valor observado três meses antes. A última vez que o desemprego não tinha caído face ao trimestre anterior (mantendo-se inalterado) foi nos últimos três meses de 2016.

Já em termos homólogos, verificou-se uma redução de 1,8 pontos percentuais na taxa de desemprego, já que no terceiro trimestre de 2017 a taxa de desemprego estava nos 8,5%.

Segundo o INE, o número de desempregados em Portugal situou-se em 352,7 mil pessoas entre julho e setembro, mantendo-se praticamente inalterada relativamente ao trimestre anterior e "interrompendo os decréscimos trimestrais observados desde o 2.º trimestre de 2016".

Em termos homólogos verificou-se uma redução de 20,6%, ou seja, a população desempregada diminuiu em 91,3 mil pessoas.

Emprego continua a aumentar

Apesar do desemprego se manter inalterado face aos três meses anteriores, a população empregada continuou a aumentar. O incremento trimestral foi de 0,6%, ou seja, mais 28,7 mil pessoas, com a população empregada a atingir um total de 4,9028 milhões de pessoas.

Já em termos homólogos, o aumento atingiu 2,1%, ou seja, mais 99,8 mil pessoas.

Esta evolução sinaliza que se está a recuperar para o emprego pessoas que estavam na inatividade. Com destaque para 'desencorajados' que tinham desistido de procurar trabalho e que, por isso, tinham passado a ser contabilizados como inativos pelo INE.

Aponta também para um reforço do contingente de imigrantes a entrar no país, sejam estrangeiros ou portugueses que regressam.

Pessoas que vêm engrossar a fileira do emprego, sem que haja uma correspondente redução do desemprego.

Aliás, os economistas apontam que a taxa de desemprego em Portugal está já muito perto do seu valor 'natural', ou seja, do valor associado ao funcionamento da economia em velocidade de cruzeiro, utilizando todos os seus recursos produtivos. Como resultado, reduções adicionais da taxa de desemprego são agora muito mais difíceis.

Desemprego de longa duração em queda

Apesar da estabilização da taxa de desemprego e do número de desempregados face ao segundo trimestre, o período do Verão trouxe boas notícias para os desempregados de longa duração. O número de desempregados há mais de um ano recuou 4,1% no terceiro trimestre face ao registado entre abril e junho, situando-se agora em 176,3 mil pessoas. Em termos homólogos a redução foi de 30,8%.

A taxa de desemprego de longa duração baixou para os 3,4%.

Mas, as boas notícias não se estenderam aos jovens. Apesar da redução homóloga de 15,1%, o número de jovens dos 15 anos aos 24 anos que procura trabalho sem encontrar subiu face aos três meses anteriores (mais 14,3%), atingindo um total de 79,1 mil.

A taxa de desemprego dos jovens está agora nos 20%.