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Bolsas da China e Japão fecham no vermelho, mas Europa regista ganhos após empate nas eleições norte-americanas

ALY SONG / Reuters

Seul, Tóquio e Xangai encerraram esta quarta-feira com perdas. A Europa abriu com uma onda verde. A bolsa de Lisboa segue a tendência europeia. Guerra comercial com a China não deve abrandar, mas maioria democrata na Câmara de Representantes dos EUA poderá travar agenda interna de Trump

O mercado de ações na Ásia fechou ‘misto’, mas a Europa vive uma onda verde esta quarta-feira. Os futuros para o índice S&P 500 em Wall Street estão a subir para perto de 1%, indiciando uma abertura de Nova Iorque em terreno positivo. Os juros (yields) dos títulos do Tesouro dos EUA subiram para 3,2%, mas continuam ligeiramente abaixo dos valores de fecho na semana passada e na segunda-feira.

A bolsa de Lisboa alinha com a tendência europeia, onde as bolsas de Madrid e Milão lideram nas subidas, com ganhos acima de 1,4%. O PSI 20, em Lisboa, avança numa trajetória para ganhos de 1%. As bolsas da zona euro fecharam na terça-feira com uma queda de 0,15% e o PSI 20 recuou 0,2%.

As bolsas asiáticas foram as primeiras a abrir esta quarta-feira depois das eleições intercalares para o Congresso nos Estados Unidos, onde os Democratas reconquistaram, ao fim de oito anos, uma maioria confortável na Câmara de Representantes (222 lugares contra 199 Republicanos, segundo os dados já apurados). Mas recuaram no Senado, onde o partido do presidente Trump deverá reforçar a maioria que já detinha. A 'onda azul' democrata acabou por não ser um tsunami. O resultados das eleições intercalares acabaram por ficar próximos das previsões.

Na Europa, o braço de ferro entre Roma e Bruxelas continua, não havendo sinais públicos de que o governo italiano proceda às correções orçamentais que a Comissão Europeia exigiu até 13 de novembro, na próxima terça-feira. O vice-primeiro-ministro Luigi Di Maio disse inclusive, em entrevista ao "Financial Times" no domingo, que a estratégia de expansão orçamental italiana se inspira na seguida por Trump nos EUA e que deverá ser a "receita" para toda a União Europeia. No entanto, a situação no mercado da dívida não se agravou. O prémio de risco da dívida italiana desceu esta quarta-feira ligeiramente para 290 pontos-base, mantendo-se abaixo da linha vermelha dos 300 pontos (equivalente a 3 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos).

Guerra comercial não deverá ser beliscada

O empate eleitoral no Congresso dos EUA poderá significar que o presidente será sujeito a maior escrutínio na Câmara de Representantes a partir de 1 de janeiro de 2019, sobretudo na agenda interna, quando o novo Congresso entrar em funcionamento. Mas Trump continuará a deter maioria no Senado e manterá poderes executivos em matéria de comércio internacional. A maioria no Senado permitirá aos Republicanos bloquear legislação aprovada por maioria Democrata na Câmara.

O novo quadro político na Câmara não deverá impedir Trump de prosseguir a sua agenda de guerra comercial. Os analistas admitem que a 'onda azul' na Câmara poderá travar medidas mais extremas do presidente, como uma guerra comercial com a União Europeia e uma saída dos EUA da Organização Mundial do Comércio. Mas em relação à China não anteveem pressão para um recuo do presidente. O analista

Sem sinais de que a tensão entre os EUA e a China possa esfriar na cimeira do G20 no final do mês, as bolsas asiáticas continuam a ser mais sensíveis a este risco. Esta semana no Fórum Económico organizado pela Bloomberg em Singapura, Henry Kissinger, o ex-secretário de Estado de Nixon, considerou que aquele risco pode "mais tarde ou mais cedo ficar fora de controlo". No mesmo fórum, o analista Ian Bremmer, presidente da consultora Eurasia, avisou que a atuação de Trump, na arena internacional, se poderá tornar "ainda mais errática, ainda mais agressiva e mais perigosa" para a Ásia. Henry Paulson, o ex-secretário do Tesouro de George W. Bush, admitiu, no mesmo fórum, que uma "cortina de ferro económica" possa surgir entre os EUA e a China.

Os índices das duas bolsas chinesas, de Xangai e Shenzhen, recuaram esta quarta-feira 0,68% e 0,5% respetivamente. O índice KOSPI de Seul perdeu 0,5% e o índice Nikkei 225 de Tóquio ficou ligeiramente abaixo da linha de água, com uma perda de 0,1%. A bolsa de Hong Kong, depois de estar a cair, acabou por fechar em terreno positivo, tal como Sydney.