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Quem foi o presidente norte-americano mais ‘amigo’ do crescimento nos últimos 50 anos?

Martin Schroeder / EyeEm/Getty

Em dia de eleições intercalares fomos olhar para o desempenho económico dos Estados Unidos. Veja na infografia que lhe preparámos qual foi o presidente norte-americano que melhor desempenho económico registou

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Jornalista infográfica

Com dois mandatos, de 1993 a 2000, Bil Clinton, democrata, foi o presidente norte-americano a registar o melhor desempenho económico durante o mandato. Criou 18,6 milhões de empregos líquidos nos dois mandatos, um recorde em 50 anos. Fez um ajustamento orçamental que permitiu às contas públicas registar um excedente federal de 2,3% no final do mandato.

O segundo maior dinamizador da economia e segundo criador de emprego foi Ronald Reagan, republicano, com dois mandatos de 1981 a 1988. O PIB cresceu 31% e o emprego líquido aumentou 16,5 milhões. Mas as reagonomics, que ficaram célebres pelos cortes de impostos e o aumento dos gastos militares, aumentaram o défice federal em quatro décimas e a dívida federal subiu 14,3 pontos percentuais do PIB.

O terceiro maior dinamizador da economia foi George W. Bush, republicano, conhecido por Bush filho. Mas, depois de Richard Nixon, foi o que aumentou mais o desemprego. Também foi o presidente nos últimos 50 anos que mais subiu o défice federal durante os mandatos. Deixou como herança a maior crise financeira dos últimos 90 anos, depois de uma ‘bolha’ gigantesca no imobiliário e o desenvolvimento de instrumentos financeiros tóxicos.

Jimmy Carter e Barack Obama, presidentes democratas, foram o quarto e quinto maiores dinamizadores da economia, apesar do último ter herdado uma crise financeira que provocou uma recessão em 2009, que foi a maior depois da Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Não obstante essa recessão, Obama foi o segundo presidente a reduzir mais o nível de desemprego na população ativa, depois de Clinton.

Os piores na economia foram os presidentes Gerald Ford e George Bush pai, ambos republicanos. Os que mais aumentaram a taxa de desemprego foram Nixon e Bush filho, também republicanos. Os mais ‘despesistas’ foram Gerald Ford (que era vice-presidente de Nixon e o substituiu depois deste resignar em 1974) e Bush filho, também republicanos, que mais aumentaram o défice federal em percentagem do PIB.

Os campeões do endividamento público foram Obama, democrata, que engordou o peso da dívida no PIB em mais de 37 pontos percentuais, e Reagan, republicano, que a subiu em mais de 14 pontos percentuais. Contudo, Obama, diferentemente de Reagan, teve de fazer uma intervenção massiva contra a maior crise em quase 90 anos.

A Administração Trump iniciou o seu mandato em 2017, pelo que ainda é cedo para avaliar o desempenho. O crescimento voltou à média histórica desde 1948, perto de 3%, mas o Fundo Monetário Internacional projecta um abrandamento até final do mandato. O nível de desemprego deverá fixar em 2018 um novo mínimo histórico dos últimos 50 anos.

O padrão da política orçamental de Donald Trump aponta para os mesmos ingredientes de outros presidentes republicanos: aumento do défice e da dívida federais em percentagem do PIB. Os últimos dados disponíveis sobre a 'temperatura' da economia norte-americana em 2018 apontam para um crescimento de 2,2% nos primeiros três meses do ano, seguido de 4,2% no segundo e 3,5% no terceiro trimestres, com a taxa de desemprego em outubro em 3,7%, um mínimo desde há 50 anos.

As fontes para esta viagem pelas Administrações norte-americanas desde Richard Nixon são o Bureau of Economic Analysis, o organismo de estatísticas do Departamento do Comércio do governo dos EUA, o Congressional Budget Office, agência de informação e análise do Congresso norte-americano, e o sítio financeiro na web The Balance.com.

Na serie histórica do PIB norte-americano desde 1969, o leitor pode visitar os mandatos dos nove presidentes para consultar o quadro macroeconómico de cada período.