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António Mexia: Chineses e reguladores "estão a fazer o que têm de fazer"

António Mexia deverá pronunciar-se sobre a OPA na primeira semana de junho

Luis Barra

O presidente da EDP diz que a China Three Gorges (CTG) e os reguladores "estão a fazer o que têm de fazer" relativamente à oferta pública de aquisição (OPA), rejeitando qualquer intervenção no processo

O presidente da EDP, António Mexia, disse esta terça-feira que a China Three Gorges (CTG) e os reguladores "estão a fazer o que têm de fazer" relativamente à oferta pública de aquisição (OPA), rejeitando qualquer intervenção no processo.

"A OPA corresponde a quem a lançou e é quem a tem de trabalhar. O trabalho não é connosco, é entre o requerente e os reguladores", disse o presidente da EDP, António Mexia, falando aos jornalistas na cimeira de tecnologia Web Summit, que decorre até quinta-feira em Lisboa.

Questionado pela Lusa sobre o processo da OPA, após notícias que dão conta de riscos que põem em causa o processo, o responsável assegurou: "Claro, as pessoas estão a fazer o que têm de fazer".

No final da semana passada, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) advertiu que as OPA lançadas pela CTG à EDP e à EDP Renováveis devem ser lançadas "em simultâneo", estando a operação sujeita "ao sucesso" na elétrica.

"Perante o anúncio público da intenção de adquirir as duas sociedades em causa, as ofertas devem -- em conformidade com a prática seguida em operações anteriores -- ser lançadas em simultâneo", indica a CMVM num parecer divulgado na sexta-feira à noite.

Aquela entidade reguladora assinala, porém, que "o sucesso da OPA" sobre a sobre a EDP Renováveis fica, contudo, "sujeito ao sucesso da OPA sobre a EDP", a sociedade dominante.

O esclarecimento surge depois de, no final de junho passado, a EDP Renováveis ter questionado a CMVM sobre este processo.

Em 11 de maio passado, a CTG anunciou a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, cujo pedido foi registado junto do regulador, sem alterações ao preço oferecido inicialmente.

O preço oferecido pela CTG é a principal razão pela qual a administração da EDP tem recomendado aos acionistas que não aceitem esta oferta, por não refletir adequadamente o valor da elétrica, pois o prémio implícito é baixo, considerando a prática pelas empresas europeias do setor.

A administração da EDP realça ainda que o preço proposto está abaixo do oferecido em 2011, quando a CTG adquiriu 21,35% da elétrica.
Também o Conselho de Administração da EDP Renováveis, liderado por Manso Neto, recomendou aos acionistas "não aceitar o preço da oferta" da CTG, por não traduzir o valor da empresa, e considerou que "o calendário proposto subjacente à oferta poderá não corresponder aos melhores interesses dos acionistas da EDP Renováveis e deveria ser clarificado".

A CTG, que já detém 23,27% do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.