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Saiba quais são os eventos que vão agitar os mercados esta semana

Uma semana cheia: regresso das sanções de Washington a Teerão, discussão no Eurogrupo do chumbo da Comissão Europeia ao orçamento italiano, eleições intercalares nos EUA, reunião de política monetária do banco central norte-americano, e evolução da escalada da guerra comercial

A segunda semana de novembro não vai dar descanso aos mercados. Cinco eventos podem agitar os mercados de acções, de matérias-primas e da dívida pública.

Sanções dos EUA ao Irão

Desde as primeiras horas de segunda-feira que reentraram em vigor as sanções dos Estados Unidos ao Irão, uma frente da guerra económica que poderá afetar o mercado do ouro negro.

O secretário de Estado norte-americano Michael Pompeo deverá publicar ainda esta segunda-feira a lista de oito países e “jurisdições” que ficarão isentas temporariamente de cumprir as sanções que penalizam o Irão nas áreas da energia, transporte marítimo, construção naval e sector financeiro. A Bloomberg adiantou que a Coreia do Sul, o Japão e a Índia poderão estar nessa lista.

O preço dos futuros do barril de Brent abriu em alta acima de 73 dólares, depois de ter fechado em 72,83 na sexta-feira passada.

Chumbo da Comissão ao orçamento italiano

A reprovação do ‘rascunho’ de orçamento para 2019 apresentado pelo governo italiano junto da Comissão foi introduzido na agenda da reunião desta segunda-feira do Eurogrupo presidido pelo ministro das Finanças português Mário Centeno. A reunião não vai tomar qualquer decisão sobre o assunto, dado que o governo de Roma tem até dia 13 de novembro, na próxima terça-feira, para responder a Bruxelas se altera o orçamento no sentido de conformar as metas de défice orçamental e de dívida às regras da Comissão. Os ministros da zona euro esperam que o ministro italiano Giovanni Tria explique aos pares se vai seguir “os princípios comuns”, frisou Centeno à entrada para a reunião em Bruxelas.

Mas os sinais vindos de Roma continuam a ser de finca pé. “Estou convencido de que podemos alterar as regras de austeridade e de investimento [na zona euro] e que poderemos fortalecer a área do euro”, disse esta segunda-feira ao “Financial Times”, o vice-presidente do governo italiano, Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas. A mensagem do italiano é que Roma não vai alterar a estratégia expansionista orçamental e que, pelo contrario, espera que a “receita funcione entre nós” e que seja, depois, “aplicada a todos os outros países”. Manifestou-se adepto da política expansionista da Administração Trump – que deverá subir o défice federal de 3,5% do PIB em 2017 para 4,1% este ano e 4,6% em 2019 – sublinhando que a maior economia do mundo “está a crescer 4% graças a políticas expansionistas, que todo o mundo assume serem erradas, de aumento do défice, cortes nos impostos e investimentos em infraestruturas”.

No mercado da dívida pública da zona euro regista-se esta segunda-feira uma ligeira subida nos juros (yields) das obrigações dos periféricos. Os juros dos títulos italianos a 10 anos subiram no mercado secundário de 3,3% na sexta-feira para 3,33% agira. As taxas para as Obrigações do Tesouro, naquele prazo, aumentaram de 1,87% para 1,89% no mesmo período. As bolsas da zona euro estão a negociar 'mistas', com Frankfurt e Milão no vermelho e Madrid e Lisboa no verde, ainda que com ganhos modestos.

Alguns analistas admitem que o governo de Roma mexa na estratégia de expansão orçamental, apesar da primeira reacção ao chumbo ter sido a de reafirmar que não há Plano B, que o orçamento é para manter. O presidente Sergio Mattarella enviou uma carta ao primeiro-ministro Giuseppe Conte solicitando que o governo “desenvolva – mesmo no decurso do exame parçamentar [do orçamento] – o confronto e o diálogo construtivo com as instituições europeias” e que “coloque a Itália ao abrigo da instabilidade financeira”. Mattarella autorizou a passagem do orçamento para debate nas duas Câmaras do parlamento italiano. A discussão deverá terminar a 29 e 30 de novembro, muito depois do prazo dado por Bruxelas, e as votações finais já decorrerão no primeiro fim de semana de dezembro.

Eleições intercalares nos EUA

As eleições intercalares para as duas Câmaras do Congresso decorrem na terça-feira com os analistas divididos sobre o novo desenho do Câmara de Representantes e do Senado. Um dos cenários que recolhe maior consenso aponta para uma maioria democrata na Câmara e um reforço da maioria republicana no Senado.

Caso o cenário 'misto' se confirme é de esperar turbulência política na Câmara de Representantes e eventual paralisação da ação legislativa da Administração Trump.

As bolsas de Nova Iorque abriram esta segunda-feira ‘mistas’, com os principais índices no New York Stock Exchange em terreno positivo e o Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, em trajectória negativa. Os mercados de acções norte-americanos fecharam na sexta-feira com perdas de 0,65%. Em outubro perderam 7%, sendo o pior mês do ano.

Os factores negativos apontados que estão a afectar as bolsas de Nova Iorque são três: o começo de desgaste no tecido empresarial norte-americano provocado pela guerra comercial com a China, o impacto da subida das taxas directoras por parte da Reserva Federal (Fed) no aumento dos juros da dívida para máximos de sete anos, e a percepção de que alguns segmentos do mercado registam valorizações excessivas. No caso das tecnológicas, Trump deitou mais algumas achas para a fogueira ao referir em entrevista no domingo à Axios que a Administração está a analisar potenciais violações às regras anti-trust por parte da Amazon, Facebook e Google.

Reunião da Fed

O Comité de política monetária do banco central norte-americano reúne-se dias 7 e 8 no penúltimo encontro do ano, depois de ataques muito fortes do presidente Trump em outubro à orientação imprimida por Jerome Powell e com as eleições intercalares a decorrerem no primeiro dia de reunião. O comunicado oficial será publicado na quinta-feira, com os resultados das eleições de dia 6 já conhecidos.

Uma decisão de nova subida da taxa directora só deverá ser tomada na última reunião do ano e comunicada a 19 de dezembro. Os futuros das taxas directoras implicam uma probabilidade de 73% para uma subida para o intervalo entre 2,25% e 2,5% na reunião de dezembro.

A estratégia de subida, mesmo gradual, das taxas directoras tem um impacto sobre os juros da dívida dos títulos do Tesouro dos EUA que, no prazo de referência a 10 anos, atingiram 3,26% no início de outubro, um máximo de sete anos. Esta segunda-feira abriram a descer ligeiramente para menos de 3,2%, o valor em que fecharam na sexta-feira.

A reunião não será seguida de uma conferência de imprensa de Powell, pelo que não haverá oportunidade de ouvir o presidente da Fed responder aos ataques que a sua gestão sofreu em outubro por parte de Trump.

Guerra comercial EUA-China

Algumas sessões das bolas reagiram positivamente no final de outubro e no início de novembro as notícias que davam como certo um encontro entre Trump e Xi Jinping no final de novembro à margem da cimeira do G20 em Buenos Aires. A divulgação da realização no 1º de novembro de um telefonema entre os dois presidentes e uma noticia de que a Casa Branca já teria dado indicações para a preparação de um acordo com a China provocaram euforia nas bolsas.

No entanto, a notícia da preparação de um acordo foi desmentida e o conselheiro Larry Kudlow disse à CNBC que não estava optimista. Um editorial do “Global Times”, o diário em inglês do grupo de media do Partido Comunista da China, dava conta na semana passada que a China espera que a guerra comercial termine, mas advertia que Pequim está “mentalmente preparada para tensões prolongadas”.

Já esta segunda-feira, em Xangai, na abertura da Feira Internacional de Exportação, que conta com 3600 empresas de 172 países, o presidente Xi não deu sinais de quaisquer concessões às exigências da Casa Branca e denunciou o que caracterizou como “lei da selva” no comércio internacional. As bolsas da Ásia fecharam no vermelho esta segunda-feira, com um recuo de 1,2% do índice MSCI regional, com destaque para as quedas de mais de 2% em Hong Kong e de 1,6% no índice Nikkei 225 em Tóquio, a mais importante praça asiática e a terceira do mundo em capitalização de mercado.