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Esta ilha fica no Porto e é para estudantes

Filipe Quinta quis manter “o espírito de comunidade” do passado

FOTO RUI DUARTE SILVa

O projeto foi pensado para ser vendido como um produto financeiro, com rentabilidade anual

No projeto de recuperação da pequena ilha no número 13 da Rua Coutinho Azevedo, na zona Oriental do Porto, o branco é a cor dominante, de forma a “refletir a luz e uniformizar o espaço”, explica Filipe Quinta, o arquiteto responsável pela transformação do espaço.

São quatro casas com tipologias T0, T1 e T2, exatamente como na sua origem, em 1937. As volumetrias foram respeitadas na recuperação do espaço, que estava “totalmente degradado”, e o “espírito de comunidade” habitual nos bairros operários que se multiplicaram pelo Porto ao longo do século XIX também.

Aqui, já não há uma casa de banho comum, mas continua­rá a haver uma zona social, com uma mesa para refeições partilhadas sob uma pérgula, espreguiçadeiras e chuveiro para um banho refrescante nos dias de sol.

O investimento de €300 mil, considerando já a decoração das quatro casas que chegam ao mercado mobiladas e equipadas, juntou o jovem arquiteto do ateliê SOUL e Pedro Ramos Pinto, administrador da imobiliária com o mesmo nome (PRP), responsável pela comercialização do imóvel.

A aposta, neste caso, foi conceber o projeto como um produto de investimento financeiro. Assim, uma vez que a lógica convivial comunitária levou os promotores a pensar desde a primeira hora que os moradores desta nova ilha do século XXI seriam estudantes universitários, foi garantido um acordo com a Uniplaces (plataforma de alojamento online de estudantes universitários) que promete trazer inquilinos para estas casas. A venda das habitações será feita em bloco, como uma fração única, para não desvirtuar o espírito do espaço, explica Filipe Quinta.

Neste ano e meio de amadurecimento e conclusão dos trabalhos, os promotores receberam muitas propostas de compra de frações individuais, mas mantiveram-se fiéis ao conceito inicial para levarem agora, ao mercado, a ilha, com os seus 200 metros quadrados, a um preço que ronda os €2000/m2, até porque este “nunca foi um projeto de propriedade horizontal”.

JULHO E AGOSTO PARA TURISTAS

“Como a Uniplaces tem uma procura muito superior à oferta, na ordem dos cinco pedidos para cada colocação, e poucos produtos deste género, em que os estudantes podem ter um espaço independente e ao mesmo tempo viver em comunidade, já temos um pré-contrato assinado e a garantia de que há estudantes para morarem aqui”, diz o arquiteto.

O comprador final poderá dar um destino diferente ao seu investimento, mas o modelo desenhado pelos promotores do projeto prevê para a ilha uma rentabilidade de €32 mil/ano em arrendamentos, num cenário em que os meses de julho e agosto significam casas vazias, sem estudantes, para arrendamento de curta duração, a turistas, aproveitando, também, o potencial de crescimento da cidade neste segmento.

Na escolha do espaço, Filipe Quinta gostou especialmente do facto de esta ser uma ilha diferente, não ao nível da rua, mas de um segundo andar. Terá sido construída numa zona de logradouro da casa principal, vendida noutra fração e já recuperada, o que permitiu criar pequenos terraços nos apartamentos T2, onde a vista chega à outra margem do Douro.

Para desenhar todo o conceito, Filipe explica que pensou sempre “numa lógica de rentabilidade”. “Como fizemos isto com capitais próprios, para minimizar o risco, pensámos desde o início, também, na forma de garantir rentabilidade ao cliente final, como num produto financeiro”, diz.

Criada em 2014, no Porto, a imobiliária PRP fechou 2017 com um volume de negócios de €15,6 milhões, mais 22% do que um ano antes. Face a 2015, o crescimento foi de 62,5%.