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Escalada a três ao Monte... Pio

Há três candidatos na corrida à Associação Mutualista Montepio Geral, cujas eleições vão decorrer a 7 de dezembro

Qual a importância desta eleição para o banco Montepio?

A gestão da associação mutualista e a gestão do banco foram separadas em setembro de 2015 por imposição do Banco de Portugal para evitar ‘contaminações’ (Tomás Correia acumulou até aí a liderança de ambos). E, em 2017, o banco passou a sociedade anónima para passar a poder ter outros acionistas e depender menos da associação. Mas apesar disso, Tomás Correia, que permaneceu como presidente da associação, tem oferecido resistência à entrada de entidades com mais de 10%. Se houver um novo presidente na associação mutualista, esta posição poderá alterar-se. Novos acionistas de referência evitarão que futuras necessidades de capital no banco descapitalizem mais a associação.

Quem são e o que querem os candidatos?

Três listas vão a votos a 7 de dezembro nas eleições para a associação mutualista. Uma liderada por Tomás Correia, presidente há 11 anos, e as outras duas que se posicionam como alternativa: uma liderada por Fernando Ribeiro Mendes, atual administrador que deixou de se rever no trabalho feito por Tomás Correia no último mandato; e outra por António Godinho que se juntou ao economista Eugénio Rosa, histórico contestatário de Tomás Correia. Os mais de 610 mil associados serão chamados a decidir, embora normalmente apenas uma pequena parte vá às eleições. A transparência do processo eleitoral deverá ser um dos assuntos da campanha, já que nas últimas eleições as listas oponentes a Tomás Correia disseram que houve “ilegalidades” e “atropelos”. O fim da isenção fiscal na associação mutualista será tema em discussão.

O que muda com as novas regras de supervisão?

A entrada em vigor do Código das Mutualistas, em setembro, coloca a Associação do Montepio sob a alçada da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, mas este regulador só entrará em ação em janeiro, se o prazo for cumprido. Entre as mudanças estão não só a supervisão da comercialização de produtos da associação vendidos aos balcões do banco Montepio como o cumprimento de critérios de idoneidade dos órgãos sociais, que passam a ser mais apertados no que toca aos candidatos que tenham processos de investigação em curso por irregularidades ou crimes, como é o caso de Tomás Correia.

A nomeação do chairman do banco depende desta eleição?

Não. O Banco de Portugal alargou até janeiro o prazo, que terminava em setembro, para que seja encontrado um novo presidente do conselho de administração (chairman) para o banco. Isto depois de ter caído por terra o nome de Álvaro Nascimento, ex-chairman da CGD. O atual presidente da associação, Tomás Correia, afirmou ao Expresso que antes do Natal deverá haver novidades, caso contrário poderá ser a lista vencedora das próximas eleições a indicar o nome para aquele cargo, que neste momento está ocupado por Carlos Tavares, que acumula com o de presidente executivo.